Álbum ‘Mano’ Une Erasmo Carlos e o Rap Nacional em Projeto Histórico

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Mano Rua

O rap nacional acaba de ganhar um dos projetos mais ousados e emocionantes dos últimos anos. O álbum Mano, lançado em 22 de maio de 2026, reúne alguns dos maiores nomes do rap nacional em releituras de clássicos de Erasmo Carlos — e o resultado é simplesmente poderoso.

O Rap Nacional Encontra Erasmo Carlos

A ideia surgiu de Léo Esteves, filho de Erasmo Carlos e guardião do seu acervo, em parceria com o produtor Marcus Preto. O projeto celebra o que seria o 85º aniversário do artista, que completaria anos em 5 de junho. A proposta era criar um diálogo real entre dois universos musicais que, à primeira vista, parecem distantes — mas que compartilham muito mais do que se imagina.

O repertório escolhido vem de uma fase específica e pouco conhecida de Erasmo: os anos 1970, quando ele abandonou o romantismo da Jovem Guarda e passou a abordar temas como drogas, solidão, desordem social e crítica política. Exatamente os temas que o rap nacional carrega até hoje.

Quem Está no Álbum

O lineup de Mano é impressionante. Confira quem participa e o que cada um trouxe:

  • Emicida — reimagina “É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo” (1971), com produção do Tropkillaz
  • Marcelo D2 — transforma “Maria Joana” (1971) em uma faixa com pegada reggae
  • Criolo e Tássia Reis — colaboram em “Gente Aberta: Imensamente Visceral”
  • Budah — divide vocais com Erasmo em “Cachaça Mecânica” (1973), em um dos pontos altos do disco
  • Dexter — contribui para “Mundo Cão” (1972) com produção do Coyote Beatz
  • Xamã — traz uma abordagem trap para “Sábado Morto” (1972)
  • Rael — interpreta “Sorriso Dela” (1972) com influências do soul norte-americano dos anos 70
  • Tasha & Tracie — dialogam com “Grilos” (1972) sobre produção sutil do Pizol

Sem IA, Com Alma

Um detalhe fundamental: o projeto não usa inteligência artificial. As gravações originais da voz de Erasmo Carlos foram recuperadas dos arquivos da Universal, separadas das faixas instrumentais, e usadas como base para os novos versos. É Erasmo de verdade, em conversa real com o rap nacional de hoje.

Um Projeto Que Vai Além da Nostalgia

O que faz Mano funcionar é justamente quando o diálogo entre os dois universos é genuíno — quando o rapper não apenas rima sobre a música, mas entra na narrativa de Erasmo e a expande. Budah em “Cachaça Mecânica” e Dexter em “Mundo Cão” são exemplos perfeitos disso.

O álbum já está disponível nas plataformas digitais. Uma versão em vinil está prevista para o segundo semestre de 2026. Para quem acompanha o rap nacional, Mano é leitura obrigatória — ou melhor, escuta obrigatória.