Rodrigo Ogi colocou a produção no centro de ‘Loopcínio Rodrigo, Vol. 1’, primeiro álbum em que assume integralmente o papel de beatmaker.
Lançado em 16 de setembro, o projeto reúne 16 MCs de diferentes regiões e gerações sobre bases construídas a partir de anos de pesquisa de samples.
O disco inaugura uma nova assinatura do rapper sem abandonar a curadoria que sempre marcou seu trabalho.
Por que Ogi criou o alter ego Loopcínio Rodrigo
O nome mistura a ideia de loop, base da produção com samples, ao primeiro nome do artista e a uma referência a Lupicínio Rodrigues.

Ogi pretende usar Loopcínio Rodrigo como identidade fixa para os trabalhos de beatmaker.
A mudança não nasceu de uma experiência repentina.
Ele já produzia desde o início dos anos 2000 e participava da construção de guias e arranjos em trabalhos anteriores.
O impulso ganhou força após ‘Manual para não desaparecer’, parceria com niLL lançada em 2025.
A partir dali, Ogi voltou a passar horas produzindo e acumulou dezenas de beats.
Segundo o próprio artista, o período de produção mais intenso começou em 2025 e avançou por meses.
Quem aparece no primeiro volume

O primeiro volume reúne nomes de:
- São Paulo;
- Rio de Janeiro;
- Minas Gerais;
- Paraná;
- Paraíba; e
- Mato Grosso do Sul.
Entre os participantes estão:
- Aori;
- Fleezus;
- Thalin;
- Bia Hoffman;
- Matéria Prima;
- Elo da Corrente;
- SoulRa;
- Jota Ghetto; e
- Janvi.
Ogi não rima nas faixas. Sua presença aparece na produção, na escolha dos convidados e na construção de uma unidade para o disco.
O projeto também recupera skits entre as músicas, com roteiro de Ronald Rios.
A lista funciona quase como uma curadoria de diferentes momentos do rap nacional.
Artistas mais experientes aparecem ao lado de vozes recentes.
Ao mesmo tempo, a diversidade regional evita que o projeto fique restrito ao eixo mais imediato da carreira de Ogi em São Paulo.
O que vem depois de ‘Loopcínio Rodrigo, Vol. 1’
O volume lançado agora nasceu de um conjunto maior de 24 faixas.
Ogi dividiu o material em dois discos de 12 músicas, e o segundo volume está previsto para sair ainda em 2026.
Além disso, o artista já separou beats para seu próximo álbum solo, planejado para 2027.
Nesse trabalho, a escrita de Rodrigo Ogi deve encontrar a produção assinada por Loopcínio Rodrigo.
A nova fase também pode avançar para discos instrumentais e produções para outros artistas.
Assim, o lançamento funciona menos como desvio de carreira e mais como abertura oficial de uma frente que Ogi desenvolvia havia anos.
Essa separação entre MC e produtor também cria uma nova leitura de sua obra.
Em vez de abandonar a narrativa que tornou Ogi conhecido, Loopcínio Rodrigo desloca essa habilidade para a escolha dos timbres, samples, convidados e sequenciamento.









