Mandinga e Nanã chegaram juntas e mudaram o nível do jogo. Anitta lançou “Deus Mãe”, o terceiro ato audiovisual de EQUILIBRIVM, com um clipe duplo que reúne Marina Sena, Rincon Sapiência e KING Saints numa das produções mais densas e bem construídas da carreira da cantora. Aliás, Anitta Mandinga Nanã clipe já se destaca entre os lançamentos mais sofisticados do ano.
Não é exagero. É o tipo de lançamento que para.
Dois clipes, uma narrativa
A ideia de apresentar “Mandinga” e “Nanã” dentro de um mesmo projeto visual não foi por acaso. As duas faixas funcionam como capítulos de uma mesma história: a primeira fala sobre liberdade feminina, sobre romper amarras, sobre o poder que pulsa no corpo e na espiritualidade da mulher. A segunda eleva esse poder para outro plano, evocando Nanã Buruquê, a mais velha das orixás, símbolo de criação e sabedoria ancestral.
Juntas, as músicas formam um arco narrativo que vai da mulher no mundo ao divino feminino. É conceito trabalhado com intenção, não decoração estética. Por isso, Anitta Mandinga Nanã clipe consegue explorar novos caminhos para a música brasileira.
Mandinga com Marina Sena: quando o axé encontra os afrossambas
“Mandinga” vai fundo nas raízes. A produção samplea “Canto de Ossanha”, dos afrossambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes, e dialoga com Ìyámi Òṣòròngá, figura central da cosmovisão iorubá associada ao poder feminino sagrado.
Marina Sena era a parceria certa para essa faixa. Artista que construiu identidade em cima de uma estética precisa e uma presença que não pede licença, ela entra em “Mandinga” sem apagar a Anitta nem ser apagada por ela. As duas se equivalem. E quando isso acontece num feat, a música ganha outra dimensão.
No clipe, o verde domina. Natureza, vida, força. A simbologia está no quadro inteiro, não apenas na letra.
Nanã com Rincon Sapiência e KING Saints: o rap como ritual
“Nanã” é outra conversa. A faixa samplea “Cordeiro de Nanã”, do trio Os Tincoãs, e reconstrói o ponto da orixá dentro de uma produção que passa por funk e rap com a assinatura de Papatinho. Rincon Sapiência entra com o peso que o Hip Hop brasileiro tem quando está no seu melhor: lirismo, consciência e pertencimento.
KING Saints, que assina composição em seis das quinze faixas do álbum, é peça central em toda a construção de EQUILIBRIVM. Sua presença em “Nanã” não é só participação, é parte da espinha dorsal do projeto.
No clipe, Nanã aparece representada por uma senhora em lilás e roxo moldando o mundo com barro. É uma imagem que vai ficar. Ademais, Anitta Mandinga Nanã clipe revela aspectos profundos de ancestralidade.
O conceito macumbeats e o que EQUILIBRIVM representa
EQUILIBRIVM não é um álbum de axé, nem de funk, nem de pop global. É um disco que opera em todas essas frequências ao mesmo tempo, usando religiões de matriz africana como linguagem central, não como referência de passagem.
O conceito é chamado de “macumbeats”: batidas construídas a partir de sonoridades da umbanda e do candomblé, trazidas para dentro do pop mainstream com intenção e respeito. Com 15 faixas e 13 participações, incluindo Shakira, Liniker, Luedji Luna e Ebony, o projeto é o mais ambicioso da carreira de Anitta e também o mais pessoal.
Toda essa construção audiovisual, dividida em atos, reforça que EQUILIBRIVM não é só um álbum. É uma era. Além disso, quem assiste Anitta Mandinga Nanã clipe percebe imediatamente o potencial artístico dessa nova fase.
Por que “Deus Mãe” é o ato mais importante até agora
O primeiro ato, “Despacho”, abriu com “Desgraça”, unindo chorinho e pombagira. O segundo, “Fé e Festa”, trouxe “Meia-Noite”. O terceiro, “Deus Mãe”, fecha o ciclo espiritual do disco com a pergunta que Anitta coloca no centro de tudo: e a mãe? Quem é a nossa mãe?
Nanã, a orixá que criou o ser humano a partir do barro, é a resposta que o disco oferece. Não como dogma, mas como convite à reflexão sobre o que a espiritualidade brasileira tem de mais profundo e sobre como o pop pode ser veículo de algo maior do que entretenimento.
Isso é o que separa um álbum bom de um álbum que dura.











