O RZA admitiu que sentiu pânico ao descobrir quem havia comprado Once Upon a Time in Shaolin, o álbum único do Wu-Tang Clan. Em entrevista à revista People, divulgada entre sexta (16) e domingo (18), o produtor contou que tentou desfazer o negócio com Martin Shkreli, mas o contrato já assinado impediu a saída.
As declarações aparecem na onda de divulgação de The Disciple: A Wu-Tang Fable, documentário que passou a ser exibido na Netflix no dia 16 de outubro.
O que o RZA disse
RZA lembrou do desespero depois que o escândalo de preços de medicamentos envolvendo Shkreli se tornou público. Segundo ele, a venda já estava fechada e não havia como voltar atrás.
Anos depois, a postura é outra. “Sim, para ser sincero. Sim. Você tem que aceitar isso”, disse, ao ser questionado sobre conviver com o papel do empresário na história do disco.
Ele também comentou o futuro da obra. “Isso se tornou uma entidade própria, e devemos permitir que ela viva”, afirmou, dizendo que não precisa mais controlar para onde o álbum vai.
A história do disco mais raro do hip hop
Once Upon a Time in Shaolin tem 31 faixas e foi concebido como uma única cópia física, guardada em uma caixa de prata. A ideia era questionar a noção de que a música gravada deve ser barata e fácil de copiar. Shkreli comprou o exemplar em 2015, por cerca de US$ 2 milhões, segundo valores divulgados na época.
O caminho do álbum passou depois pela Justiça americana. Em agosto de 2017, um júri do Brooklyn condenou Shkreli por dois crimes de fraude com valores mobiliários e um de conspiração, e ele recebeu pena de sete anos de prisão. O disco teve de ser entregue para ajudar a quitar uma dívida de aproximadamente US$ 7,4 milhões, e a venda foi anunciada pelos promotores em 27 de julho de 2021. Vale destacar que esse caso trata de fraude e é separado da polêmica sobre o preço de remédios que o RZA mencionou.
O projeto sempre gerou atrito dentro do grupo. Em 2024, o Method Man já havia dito que os integrantes gravaram versos sem saber como o produtor Cilvaringz embalaria o material, e descreveu o álbum como um assunto difícil entre eles.
O filme e o recado para a cena
O documentário acompanha Cilvaringz, rapper holandês-marroquino que correu atrás de um lugar dentro do Wu-Tang, e a relação dele com o RZA que levou ao disco raro. O próprio RZA é produtor executivo e personagem do filme. A diretora Joanna Natasegara afirmou que o álbum desafiou a forma como a indústria valoriza a arte, especialmente a de artistas negros.
RZA disse ainda que o projeto lhe trouxe inimigos, elogios e perguntas, e que, na visão dele, um público pequeno ainda pode levar adiante as ideias do trabalho.
Para o público brasileiro, que acompanha o Wu-Tang há décadas, o filme na Netflix é a chance de entender melhor um dos experimentos mais controversos da história do rap. A gente já contou os bastidores do álbum único do Wu-Tang Clan no documentário da Netflix, e as novas falas do RZA ajudam a fechar o quadro.





