KL Jay afirma que não usa inteligência artificial na criação e considera que separar rap e política enfraquece a cultura.
As opiniões do DJ e cofundador dos Racionais MC’s foram publicadas em entrevista ao Diário do Grande ABC nesta quinta-feira (08).
No mesmo dia, o DJ também participou de um encontro gratuito no Sesc Santo André.
Na conversa, o artista relaciona a força do rap à origem contestadora do gênero e às questões sociais.
Também recorda os bailes blacks do Grande ABC, que frequentava com integrantes dos Racionais antes da projeção nacional do grupo.
Para KL Jay, política faz parte da história do rap
KL Jay argumenta que dissociar o rap da política é arriscado. Para ele, essa separação fragiliza a cultura e abre espaço para discursos distantes de sua veia contestadora.
O rap pode não ser politicamente correto, mas mantém a preocupação social.
Ao falar das referências do gênero entre o fim dos anos 1980 e meados dos anos 1990, cita:
- Boogie Down Productions;
- Public Enemy; e
- Kool Moe Dee.
Segundo KL Jay, músicas e discursos de ativistas como Malcolm X e Steve Biko ajudaram a difundir debates sobre racismo, violência policial e orgulho negro.
O DJ relaciona essa herança à realidade atual: afirma que o racismo não acabou, enquanto defende altivez diante das tensões e desigualdades que atravessam a população negra.
O fator humano está no centro da criação
Sobre inteligência artificial, KL Jay diz que não gosta, não usa e não concorda com a tecnologia na criação.
Ele demonstra preocupação com a coleta de dados e a dependência de ferramentas digitais.
Por outro lado, valoriza a experiência humana como base para a música.
Sua pesquisa, de todo modo, hoje é menos deliberada:
- pode surgir na rua;
- em conversas;
- na troca com outros DJs; e
- nas recomendações dos filhos.
Entre os nomes que escuta, mencionou Tulinho, da Banca do Loco, e Bad Bunny.
Os bailes do ABC marcaram a trajetória do DJ
KL Jay relembrou eventos no Parque Oratório, em Santo André, e os bailes da Kaskata’s, no Club House, que frequentava com os Racionais.
Descreveu o espaço como ponto de encontro e respiro para a juventude, em um período marcado, segundo sua lembrança, por violência e opressão.
Para chegar às festas, contou, o grupo pegava ônibus do Terminal Tietê até o Centro de Santo André e seguia a pé.
Escolher cabelo e roupa e imaginar quem encontrariam por lá também fazia parte da preparação.
Encontro com Arnaldo Tifu aconteceu nesta quinta
KL Jay participou da estreia do RAP Hour – A Hora do Rap, projeto conduzido pelo MC, poeta e educador Arnaldo Tifu.
A atividade ocorre na área de convivência do Sesc Santo André, com conversa e apresentação musical.
- Quando: quinta-feira, 8 de outubro, às 19h30.
- Onde: Sesc Santo André, na área de convivência.
- Entrada: gratuita, sem necessidade de retirada de ingressos.
Após o bate-papo, KL Jay abre o palco para um show. A página oficial do Sesc reúne os detalhes da programação.








