O hip-hop perdeu mais uma de suas fundadoras. Gwendolyn Chisolm, conhecida no mundo da música como Blondy, morreu no dia 6 de abril de 2026 em Atlanta, aos 66 anos. A causa foi uma breve doença que a tirou de cena rapidamente, deixando a comunidade do rap em luto. Blondy era co-fundadora do The Sequence, trio que entrou para a história como o primeiro grupo feminino de hip-hop a gravar e lançar música profissionalmente.
As Pioneiras que Abriram o Caminho
Formado em 1979 em Columbia, Carolina do Sul, o The Sequence reunia Blondy ao lado de Cheryl “The Pearl” Cook e Angela “Angie B” Brown — a mesma Angie Stone que viria a se tornar uma das vozes mais respeitadas do R&B. O grupo foi o primeiro ato feminino a ser contratado pela lendária Sugar Hill Records, a gravadora que praticamente inventou o rap comercial. Naquele mesmo ano, elas lançaram “Funk You Up”, um hit que chegou ao número 15 na parada de R&B da Billboard e entrou para a história como o primeiro sucesso de um grupo feminino dentro do hip-hop. A batida da música foi tão poderosa que artistas como Dr. Dre, En Vogue e Erykah Badu a samplearam ao longo das décadas seguintes.
Uma Voz que Ecoou por Gerações
O The Sequence lançou três álbuns entre 1980 e 1983, e mesmo após a dissolução do grupo em 1985, Blondy nunca parou de trabalhar com música. Ela continuou produzindo shows, colaborando com artistas e gravando suas próprias composições. Nos últimos anos, estava finalizando sua autobiografia, intitulada “The First Blonde in the Hip Hop Game”, um relato em primeira pessoa de como foi ser mulher, negra e pioneira num movimento que ainda engatinhava. Ela também estava envolvida na criação de uma exposição permanente dedicada ao The Sequence no National Museum of African American Music, em Nashville.
Dor Dupla para a Cena
A morte de Blondy chega menos de um ano após a perda de Angie Stone, sua companheira de grupo, que faleceu em março de 2025 num acidente de carro aos 63 anos. Blondy havia trabalhado pessoalmente com o cineasta Tyler Perry para organizar o funeral de Angie. Agora, das três fundadoras do The Sequence, apenas Cheryl “The Pearl” Cook permanece. A família de Blondy, por meio de sua irmã Monica Scott, descreveu-a como “uma força criativa que tocou incontáveis corações” e pediu que os fãs honrassem sua memória ouvindo sua música.
O Legado que Fica
É impossível falar da história do hip-hop sem mencionar o The Sequence. Num movimento que, nos seus primeiros anos, era quase exclusivamente masculino, essas três mulheres de Columbia chegaram ao estúdio, gravaram e mostraram que o rap também era delas. Blondy e suas companheiras abriram a porta por onde passaram todas as MCs que vieram depois — de Queen Latifah a Cardi B, de Lauryn Hill a Doechii. A cena urbana global deve muito a essa mulher que, com um microfone na mão e atitude de sobra, ajudou a construir o alicerce de uma das culturas mais influentes do planeta.
Descanse em paz, Blondy. O hip-hop não esquece quem o construiu.








