Klisman lança nesta terça-feira, 22 de setembro, ‘Antes do Menino Nascer’, projeto de 11 faixas distribuído pela NadamalRecords.
O trabalho desloca o foco do rapper para lembranças, formação familiar e experiências anteriores à consolidação na música.
O repertório tem 28 minutos e 21 segundos e mantém o artista dentro do hip-hop e do rap, mas com uma proposta mais íntima.
Faixas como “BENÇÃO”, “CICATRIZES” e “NOITES” já indicam um eixo voltado à memória e ao amadurecimento.
O título reforça essa escolha de olhar para trás.
Em vez de apresentar apenas a fase atual, o disco sugere uma reconstrução do período em que ambições, referências e vínculos ainda estavam sendo formados.
De Salvador para uma narrativa mais pessoal

Klisman nasceu e cresceu no Centro Histórico de Salvador, território que já havia ocupado o centro de ‘CHTC?’.
Naquele álbum, lançado em 2025, o rapper transformou ruas, festas, conflitos e pertencimento em matéria principal das letras.
Agora, o movimento parte do território coletivo para a biografia.
A nova fase observa quem existia antes do personagem artístico, sem abandonar as marcas culturais que formaram sua linguagem e sua relação com a cidade.
Herança musical aparece antes do trap
A formação de Klisman também passa pela família. O pai atuou como percussionista em nomes ligados à música baiana, incluindo:
- Olodum;
- É o Tchan; e
- Parangolé, referência que aproxima sua trajetória do pulso percussivo de Salvador.
Essa origem ajuda a explicar por que o rapper costuma misturar trap com elementos locais em vez de tratar a Bahia apenas como cenário.
Em ‘Antes do Menino Nascer’, a herança funciona como ponto de partida para entender de onde veio o artista.
Essa conexão familiar não significa repetir a música feita pelo pai.
Ela oferece um vocabulário cultural que Klisman reaproveita dentro de outra geração, marcada pelo trap, pelas plataformas e por colaborações nacionais.
Álbum chega após fase de expansão
O lançamento aparece depois de uma sequência de projetos que ampliou a presença de Klisman na nova geração do rap baiano.
Além de ‘CHTC?’, ele acumulou colaborações com Alee e consolidou sua ligação com a NADAMAL.
A tracklist fecha com “NOITES” e passa por músicas como “ONLINE”, “COROA DA FAC”, “ADOTADO PELA FAC” e “TIPO DRAKE”.
O conjunto cria um percurso curto, sem transformar a proposta autobiográfica em uma retrospectiva extensa.
A duração enxuta também diferencia o novo trabalho de ‘CHTC?’, que tinha 13 músicas.
Aqui, a proposta parece concentrar a narrativa em momentos específicos, reduzindo desvios e mantendo a escuta próxima do conceito.
O disco chega às plataformas em 22 de setembro e abre outra leitura da trajetória de Klisman.
O próximo movimento será perceber como essa abordagem mais pessoal conversa com quem conheceu o rapper pelo retrato direto de Salvador.








