O The New York Times colocou o rap no centro da discussão sobre composição ao incluir Jay-Z, Kendrick Lamar e Young Thug entre os 30 maiores compositores americanos vivos.
A lista não tem ranking. Em vez disso, destaca o impacto artístico e a forma de escrever música. Para cada nome, o jornal selecionou cinco faixas consideradas essenciais, aquelas que explicam por que esses artistas entraram na lista.
O resultado é um recorte direto do que o rap representa hoje: narrativa, inovação e profundidade lírica.
Young Thug: ruptura total na forma de compor
O perfil de Young Thug no NYT destaca um ponto central: ele praticamente redefine o que é escrever uma música.

Sem usar papel, o artista constrói faixas com improviso, explorando sons, ad-libs e variações vocais que rompem com a lógica tradicional do hip-hop.
5 músicas essenciais segundo o NYT:
- “Stoner”
- “Best Friend”
- “Picacho” (feat. Maceo)
- “Danny Glover”
- “Wyclef Jean”
O produtor Mike WiLL Made-It resume o impacto: Thug mistura metáforas, cadências e melodias que mudam constantemente, criando algo que não se encaixa em padrões.
Kendrick Lamar: o rap como análise psicológica
Já Kendrick Lamar aparece como o nome que leva o rap para um território mais denso.

Segundo o NYT, suas músicas “querem significar mais”. Elas funcionam como leituras do comportamento humano, misturando política, identidade e conflito interno.
5 músicas essenciais segundo o NYT:
- “Rigamortus”
- “Swimming Pools (Drank)”
- “Hood Politics”
- “Count Me Out”
- “Euphoria”
Para George Clinton, lenda do Parliament-Funkadelic, Kendrick escreve “como um psiquiatra”, abordando temas que poucos artistas encaram diretamente.
Jay-Z: técnica, densidade e narrativa
No caso de Jay-Z, o NYT reforça sua reputação como um dos compositores mais técnicos da música americana.

O rapper constrói versos com rimas internas, trocadilhos e múltiplos significados, mantendo uma fluidez quase conversacional.
5 músicas essenciais segundo o NYT:
- “Dead Presidents II”
- “Where I’m From”
- “U Don’t Know”
- “99 Problems”
- “Public Service Announcement (Interlude)”
O rapper Pusha T destaca que Jay-Z conseguiu traduzir toda uma geração ao falar de rua, dinheiro, poder e contradições com profundidade.
O que essa lista revela sobre o rap
A presença dos três nomes no levantamento do The New York Times mostra uma mudança clara:
- O rap deixa de ser visto apenas como gênero musical
- Passa a ser tratado como forma central de composição contemporânea
- E se divide em três forças principais
| Artista | Força dominante |
|---|---|
| Young Thug | inovação e linguagem |
| Kendrick Lamar | profundidade e reflexão |
| Jay-Z | técnica e narrativa |
Mais do que uma lista, o recorte do NYT funciona como um retrato do momento atual da música: o rap não só domina culturalmente, como redefine o que significa escrever uma canção.








