A cidade de Salvador ganhou um novo e grandioso circuito de murais de arte urbana no entorno do BRT do Itaigara.
Desse modo, uma das principais vias de transporte da capital baiana se tornou uma galeria a céu aberto.
O projeto, intitulado Arte como Respiro: Territórios em Fluxo, foi realizado pelo Projeto MURAL – Movimento Urbano de Arte Livre.
Ele se concretiza em parceria com a Prefeitura de Salvador, a Fundação Gregório de Mattos e a Trevo Produções.
Seis Obras que Contam a História de Salvador
Seis artistas assinam as obras que compõem o circuito, cada uma abordando aspectos distintos da identidade cultural, histórica e ambiental de Salvador.
As pinturas, portanto, exploram temas como ancestralidade indígena e africana, resistência feminina, cotidiano urbano e a relação da cidade com seus rios e territórios.
- Rede Mãe (Zana Nacola, 70 m²): celebra as conexões entre mulheres, Brasil e África, usando tramas e rendas para simbolizar o mar como ponte entre identidades.
- Cotidiano em Movimento (Felipe Alaído, +80 m²): retrata a diversidade humana e os deslocamentos diários no Itaigara, com vendedores e trabalhadores como protagonistas.
- Mãos Indígenas (Isa Muriá e Thiago Tupinambá, +80 m²): propõe uma reflexão sobre a participação dos povos indígenas na construção de Salvador, combatendo apagamentos históricos.
- Onde a Vida Resiste (Niiny Santos, 80 m²): foca na resistência e na relação com o Rio Camarajipe, com pescadores, palafitas e fauna local.
- Cuide-se (Thays Eunice): aborda afeto, cura, sonhos e identidade cultural soteropolitana.

O Maior Mural Horizontal de Artistas Indígenas do Brasil
O projeto vai além do BRT do Itaigara.
Na ligação Iguatemi–Paralela, foi entregue a obra Águas Ancestrais, assinada por Thiago Tupinambá e Isa Muriá.
A obra é reconhecida como o maior mural horizontal já realizado por artistas indígenas no Brasil.
Ela conecta a etimologia tupi-guarani do nome Iguatemi — que significa canoa de pedra — à cultura urbana de Salvador.
Assim, usa a estética das carrancas do Rio São Francisco como elemento visual central.
Arte Urbana como Política Pública
O circuito do Itaigara representa um avanço significativo na valorização da arte urbana como política pública em Salvador.
Ao ocupar espaços de grande circulação com obras de artistas locais e regionais, o projeto democratiza o acesso à arte.
Nesse contexto, fortalece narrativas que historicamente foram marginalizadas nos espaços culturais tradicionais.
A iniciativa reafirma o papel do graffiti e do muralismo como linguagens legítimas de expressão cultural e resistência nas cidades brasileiras.










