LeBron James no 76ers já é realidade, e a estreia não poderia ter sido mais simbólica. Na noite de 20 de outubro, no Madison Square Garden, ele entrou em quadra com a camisa 23 de Filadélfia justamente na festa dos campeões Knicks.
Nova York celebrava o primeiro título desde 1973. LeBron estragou parte da festa. Os Sixers venceram por 106 a 100.
Aos 41 anos, em sua 24ª temporada, um recorde na NBA, o Rei começou o que deve ser a última parada da carreira.
Uma estreia com tempero de rua
Os números foram de quem sabe exatamente o próprio papel: 14 pontos, nove rebotes e sete assistências em 33 minutos. Tyrese Maxey foi o cestinha, com 28. Jaylen Brown, outro reforço, somou 19.
Há um detalhe curioso. Em todas as estreias anteriores por um novo time, LeBron tinha perdido. Filadélfia foi a primeira vez que ele começou uma nova casa com vitória.
O Garden não facilitou. A recepção foi hostil, e em certo momento LeBron respondeu um torcedor antes de um lance livre, lembrando de onde veio: Ohio. Quem cresceu no asfalto conhece esse diálogo. Provocação se responde com presença.
Dois dias depois, na primeira noite oficial em casa, os Sixers chegaram a estar 29 pontos atrás do Cleveland Cavaliers e viraram para vencer por 114 a 106. Com a esposa Savannah e a filha Zhuri, que fazia 12 anos, na arquibancada, LeBron agradeceu de novo a chance de encerrar a carreira em Filadélfia.
Por que Filadélfia
A decisão surpreendeu muita gente. Depois de oito temporadas nos Lakers, LeBron assinou com os Sixers um contrato de dois anos pelo salário mínimo da liga.
Não foi pelo dinheiro. Foi pelo projeto. O quinteto titular junta LeBron, Joel Embiid, Maxey, VJ Edgecombe e Brown. LeBron já disse que a amizade com Maxey pesou na escolha.
Existe também uma meta pessoal: ajudar Embiid, com quem dividiu o ouro olímpico em Paris 2024, a conquistar o primeiro anel. A franquia não é campeã há 43 anos, desde o time de Julius Erving.
A cidade de Iverson recebe o Rei
Para entender o peso cultural dessa chegada, é preciso falar de Allen Iverson.
Nenhum jogador uniu basquete e Hip Hop como ele. As tranças, as roupas largas, as tatuagens, a corrente no pescoço. Iverson levou a estética da quebrada para a NBA numa época em que a liga ainda torcia o nariz para isso, a ponto de criar um código de vestimenta para os jogadores.
Filadélfia também é a cidade de The Roots, de Meek Mill e de Will Smith, o Príncipe de Bel Air que saiu do oeste da Filadélfia. É um lugar onde a música e a quadra sempre falaram a mesma língua.
LeBron chega a essa cidade como o herdeiro mais completo dessa ponte. Ele não só joga. Ele construiu um império que mistura esporte, entretenimento, moda e música, sempre com o Hip Hop como trilha.
O túnel virou passarela
Se Iverson abriu a porta, a geração de LeBron transformou o túnel dos ginásios numa passarela. A chegada ao jogo virou momento tão aguardado quanto o aquecimento.
E o efeito comercial já aparece. Nas primeiras 48 horas após o anúncio, a camisa 23 dos Sixers bateu o recorde de vendas da Fanatics para esse período após a chegada de um jogador a um novo time. Os ingressos da estreia chegaram a 2,2 mil dólares.
Até o ritual do pó de giz, jogado para o alto antes da bola subir, ganhou nova plateia. Na apresentação em casa, crianças com camisas dos Sixers se amontoavam sobre a entrada do time pedindo foto e autógrafo.
Fora de quadra, os detalhes também viram assunto. LeBron tem usado helicóptero para chegar aos treinos e tratou o tema com naturalidade: para ele, é só transporte.
O reencontro de Natal
A data mais esperada da temporada já está marcada. No Natal, LeBron volta a Los Angeles para enfrentar os Lakers.
O confronto tem uma camada a mais. Bronny James, filho de LeBron, segue nos Lakers buscando se firmar sem o pai ao lado. O 25 de dezembro pode colocar a família James dos dois lados da quadra.
É o tipo de roteiro que só uma carreira desse tamanho consegue produzir.
O que fica de LeBron James no 76ers
LeBron já tem quatro títulos: dois com o Miami Heat, um com o Cleveland Cavaliers e um com os Lakers. É o maior pontuador da história da NBA. Não precisa provar nada a ninguém.
Mesmo assim, escolheu a pressão de uma cidade exigente, uma torcida que vaia o próprio time no intervalo e uma franquia faminta por título.
Talvez seja isso que o aproxime tanto da cultura de rua. Quem vem de baixo não descansa no topo. Aos 41, o Rei segue entrando em quadra como quem ainda tem algo a conquistar.










