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Funcionários da Nike ajudaram a desviar mais de R$ 10 milhões em tênis nos EUA

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Mauro S Pereira

Divulgação

O furto de tênis Nike que movimentou o mercado sneaker nos Estados Unidos acaba de virar caso federal. Doze pessoas foram indiciadas pela Justiça americana por integrar um esquema organizado de roubo de cargas dentro do próprio centro de distribuição da marca, em Memphis, no Tennessee. Aliás, o furto de tênis Nike está ganhando destaque na imprensa internacional.

A denúncia é fruto de uma investigação que se arrastou por anos, conduzida por uma força-tarefa do FBI especializada em furto de cargas. E o que ela expõe não é um roubo qualquer. É a engrenagem completa de uma quadrilha que operava com gente de dentro, logística própria e canais de venda já rodados no universo do resale.

O golpe por dentro

Entre julho de 2021 e junho de 2024, o grupo teria agido de forma sistemática. A dinâmica era simples de entender e difícil de rastrear: escolher os pares mais valiosos, localizar o estoque dentro do galpão da Nike e gerar etiquetas de envio para endereços já combinados, espalhados pelos Estados Unidos.

De lá, a mercadoria seguia direto pra revenda. No total, o esquema teria movimentado pelo menos 2 milhões de dólares em produtos furtados, quase 11 milhões de reais na cotação atual. Pra sustentar esse volume, a acusação aponta que mais de três mil etiquetas de envio foram criadas de forma fraudulenta ao longo dos três anos de operação.

Metade da quadrilha vinha de dentro da própria Nike

Esse é o ponto que muda a dimensão do caso. Seis dos doze indiciados eram, ou tinham sido, funcionários da Nike. Um deles ocupava função de gerente de piso dentro do centro logístico em Memphis e, segundo a acusação, era quem levava as etiquetas fraudadas pra dentro da instalação.

Não era, portanto, uma falha de segurança sendo explorada de fora. Era gente com acesso, crachá e conhecimento do processo interno, alimentando o esquema por dentro da própria cadeia de distribuição da marca. Sem dúvida, casos como o furto de tênis Nike revelam vulnerabilidades na segurança das empresas.

Como o tênis roubado chegava até o consumidor

A parte que mais mexe com quem acompanha a cultura sneaker é o caminho que a mercadoria percorria depois do roubo. Uma parcela dos produtos ia parar em negócios de revenda já conhecidos no circuito, com operações em Los Angeles e Chicago. Outra parte era colocada direto em marketplaces populares entre colecionadores, como StockX e GOAT.

Um dos réus teria recebido mais de 900 mil dólares pelos tênis desviados, valor pago justamente por quem depois revendia as peças ao público final. O esquema não terminava no furto. Ele alimentava uma engrenagem paralela inteira dentro do mercado de resale. Além disso, o furto de tênis Nike contribui para inflacionar o mercado e prejudica colecionadores legítimos.

O que esse caso escancara sobre o mercado de sneakers

O caso do furto de Nike em Memphis coloca luz numa tensão que a cultura sneaker convive há anos: a diferença brutal entre o que se paga numa loja e o que se cobra na rua por um par exclusivo. Quando o preço de revenda dispara acima do preço de tabela, cria se justamente o tipo de incentivo que sustenta esquemas como esse.

Memphis não entra nessa história por acaso. A cidade é um dos maiores polos logísticos dos Estados Unidos, conhecida por movimentar volumes gigantescos de mercadoria com velocidade. Foi exatamente essa estrutura, pensada pra agilidade, que virou brecha.

O que vem agora

Os doze réus respondem por conspiração para transporte interestadual de mercadoria furtada. Um deles enfrenta ainda uma acusação a mais, por transporte interestadual de bens roubados. As autoridades tratam o caso como um dos maiores exemplos recentes de furto organizado de carga contra uma marca global de calçados. Afinal, o furto de tênis Nike em larga escala impacta toda a cadeia de produção e distribuição.

O estrago não fica só no balanço da Nike. Ele mexe com a confiança de todo mundo que compra, revende e coleciona tênis, um universo que movimenta bilhões e depende, acima de tudo, de autenticidade e rastreabilidade nas mãos de quem faz parte da comunidade sneakerhead.

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