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ODB Jones Way: Brooklyn escreve o nome de Ol’ Dirty Bastard nas ruas do Bed-Stuy

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Andre Simoes

Foto: André Simões

ODB Jones Way já é realidade em Bed-Stuy, Brooklyn. O Mundo da Rua estava lá para acompanhar de perto esse capítulo histórico do Hip Hop.

No último sábado, dia 25 de julho, a esquina da Putnam Avenue com a Franklin Avenue ganhou um novo nome. Foi ali onde Russell Tyrone Jones, o inesquecível Ol’ Dirty Bastard, deu seus primeiros passos como MC. Por isso, o bairro decidiu eternizar sua memória em forma de placa.

A cerimônia reuniu família, vizinhos e uma multidão de fãs que cresceram ouvindo as rimas caóticas e geniais de um dos fundadores do Wu-Tang Clan. O clima era de festa, mas também de reencontro com uma história que pertence ao próprio concreto de Bed-Stuy.

Um bairro que nunca esqueceu seu filho

O ponto escolhido não foi aleatório. É bem naquele quarteirão que a avó de ODB ainda mora. Ela vive a poucos metros de um mural inspirado na capa do disco de estreia do rapper, Return to the 36 Chambers: The Dirty Version.

Enquanto o som do próprio ODB tomava conta da rua, familiares puxaram o pano que cobria a nova placa verde. O momento arrancou aplausos. Também emocionou quem esteve presente, incluindo membros da família que fizeram questão de lembrar o quanto essa homenagem representa mais do que uma simples placa de esquina.

Para muitos moradores antigos, a cena tem um peso extra. Bed-Stuy, como boa parte do Brooklyn, atravessou anos de intensa transformação urbana. A gentrificação mudou o rosto de ruas inteiras e encareceu aluguéis. Isso também afastou famílias que ali construíram raízes por gerações. Colocar o nome de ODB Jones Way num bairro que se reinventou tantas vezes é também um jeito de dizer que a memória do Hip Hop não se apaga com reforma de fachada.

ODB, o caos genial que virou lenda

Ol’ Dirty Bastard morreu em 2004, mas sua influência segue viva em cada geração que descobre o Wu-Tang Clan. Ele tinha voz irregular, presença imprevisível e uma autenticidade impossível de imitar. Assim, foi peça essencial na construção de um dos grupos mais importantes da história do rap.

Hoje, ver seu nome estampado numa rua do Brooklyn é a confirmação de que a cultura urbana escreve sua própria história. Ela faz isso com o tempo que precisa e do jeito que a rua exige.

O Hip Hop celebra mais essa vitória. E Bed-Stuy, mais uma vez, prova que memória de rua não se negocia.