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Maldição do Drake: rapper perde R$ 7,6 mi na Copa

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Wellington Cruz

Drake
Imagem: Reprodução

A maldição do Drake ganhou mais um capítulo neste domingo, 19 de julho, e desta vez o preço saiu caro. O rapper canadense perdeu US$ 1,5 milhão, cerca de R$ 7,6 milhões na cotação atual, ao apostar na vitória da Argentina sobre a Espanha na final da Copa do Mundo de 2026, disputada em Nova Jersey. Os espanhóis venceram por 1 a 0 na prorrogação, e Drake viu escapar um prêmio que poderia ultrapassar R$ 26 milhões.

A maldição do Drake completa mais um capítulo

O comprovante da aposta foi postado pelo próprio Drake no Instagram um dia antes da decisão, prática que já virou costume entre seus seguidores. A condição para embolsar o prêmio não era apenas a conquista argentina. O bilhete exigia vitória por 2 a 1, dentro do tempo regulamentar, excluindo a prorrogação. Com o placar zerado nos noventa minutos e o gol espanhol saindo já na etapa extra, a aposta estava perdida antes mesmo do apito final. Na legenda da publicação, o rapper reagiu com ironia ao próprio azar: “Qual é aquele ditado? Mais sorte da próxima vez, não precisa dizer mais nada”. A frase, repetida em prints e memes ao longo da madrugada, resume o tom com que Drake tem lidado publicamente com uma sequência de derrotas financeiras que já não cabe mais na categoria de coincidência.

Histórico da maldição do Drake com a Argentina

A relação do rapper com a seleção argentina remonta à final da Copa do Mundo de 2022, no Catar. Naquela ocasião, ele apostou US$ 1 milhão na vitória albiceleste sobre a França dentro do tempo normal. A partida terminou empatada em 3 a 3, e a Argentina só confirmou o título nos pênaltis, cenário que não contemplava a aposta original. Em 2024, Drake tentou uma estratégia inversa e apostou contra Lionel Messi e companhia, colocando US$ 300 mil na vitória do Canadá sobre a Argentina na semifinal da Copa América. O resultado foi goleada argentina por 2 a 0, com direito a provocação pública do perfil oficial da seleção nas redes sociais. Somado a isso, o rapper também perdeu, na semana anterior à final de 2026, uma aposta de US$ 1 milhão na vitória de Conor McGregor sobre Max Holloway no UFC 329, e já havia revelado em junho de 2025 um prejuízo acumulado de US$ 8 milhões em apostas esportivas erradas no espaço de um mês. O padrão é consistente o bastante para que fãs tenham criado o site TheDrakeCurse.com, dedicado exclusivamente a catalogar cada aposta perdida do artista.

Por que a maldição do Drake virou fenômeno cultural

Existe algo particular no modo como a cultura urbana lida com a exposição pública da riqueza, e Drake entendeu isso antes da maioria de seus pares. Ostentar uma aposta de sete dígitos não é apenas hábito de apostador compulsivo, é também construção de personagem. No hip hop, o dinheiro sempre funcionou como linguagem, seja no flexing de correntes e carros nos videoclipes dos anos 2000, seja nas capturas de tela de apostas esportivas compartilhadas em 2026. A diferença é que, no caso de Drake, o fracasso recorrente virou parte do enredo, e não um deslize a ser escondido. Cada nova derrota alimenta a piada, a piada alimenta o engajamento, e o engajamento mantém o nome do artista circulando entre notícias de esporte e cultura pop, mesmo fora de janelas de lançamento musical. Há uma dimensão perigosa nessa espetacularização, considerando o alcance de Drake sobre um público jovem e a naturalização de apostas de altíssimo valor como conteúdo de entretenimento, mas do ponto de vista estritamente de posicionamento de marca, a maldição do Drake se tornou um ativo narrativo que nenhuma assessoria conseguiria comprar.

Maldição do Drake e o momento de carreira do rapper

O timing dessa nova derrota não é irrelevante. Drake vive em 2026 uma fase de reposicionamento artístico depois do desgaste público do embate com Kendrick Lamar, que atingiu o rapper canadense de forma direta com o sucesso de “Not Like Us”. Em maio, ele lançou simultaneamente três álbuns, “Iceman”, “Maid Of Honour” e “Habibti”, primeiro material inédito desde 2023, movimento que funcionou como resposta comercial ao período de crise de imagem. “Iceman” garantiu a Drake o sétimo álbum de sua carreira a liderar as paradas do Reino Unido, número que reforça que o abalo causado pelo diss track de Kendrick não comprometeu sua capacidade de mobilizar consumo. Nesse contexto, a maldição do Drake funciona quase como contraponto humano à narrativa de artista blindado e infalível: o mesmo homem que ainda emplaca álbuns no topo das paradas globais é incapaz de acertar um placar de futebol, e essa vulnerabilidade, ainda que financeira e não artística, humaniza uma figura que passou o último ano sendo tratada publicamente como derrotado por seus pares de indústria.

A cultura urbana sempre teve fascínio por narrativas de ascensão e queda, e a maldição do Drake entrega as duas em ciclos curtos e repetidos, sem o desgaste real de uma crise de carreira. É um tipo de espetáculo que só faz sentido dentro da lógica atual de consumo de conteúdo, em que a vida privada de um artista bilionário se transforma em série contínua, capítulo por capítulo, aposta por aposta. Resta saber se, da próxima vez que uma seleção sul-americana entrar em campo, os apostadores que seguem o padrão inverso ao de Drake vão continuar lucrando com o próprio azar do rapper, ou se ele, enfim, vai decidir torcer contra si mesmo.