Paulinho da Costa: o carioca de Irajá que colocou a cuíca na Calçada da Fama de Hollywood

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Alexandre Simoes

Reprodução Instagram

Paulinho da Costa virou história nesta quarta-feira (13). O percussionista carioca se tornou o primeiro brasileiro a receber uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, o endereço mais simbólico da cultura pop mundial. Com 77 anos e um currículo que faz qualquer enciclopédia da música parecer incompleta, ele chegou onde nenhum artista nascido no Brasil tinha chegado antes.

A estrela ficará fixada na Vine Street, bem ao lado do icônico prédio da Capitol Records. Um detalhe que não é acaso. É poesia.

Do Rio para o mundo, sem abrir mão da raiz

Paulinho cresceu no bairro de Irajá, Zona Norte do Rio de Janeiro. Foi nas rodas de samba da Penha, nos terreiros de candomblé e desfilando como ritmista pela Portela que ele construiu o idioma sonoro que o levaria aos estúdios mais disputados do planeta.

A virada aconteceu quando ele embarcou para os Estados Unidos como integrante do grupo de Sérgio Mendes. Hollywood não sabia o que estava prestes a receber.

A cuíca que entrou para a história

Michael Jackson. Madonna. Elton John. Stevie Wonder. Esses nomes compartilham os créditos de seus maiores discos com um percussionista carioca que trouxe o vocabulário rítmico do Brasil para o centro do pop global.

É de Paulinho da Costa a cuíca que pulsa em faixas do álbum “Thriller”, o disco mais vendido de todos os tempos. Não é participação especial. É coluna vertebral sonora.

Além das colaborações com esses gigantes, a discografia dele ainda atravessa trilhas sonoras de filmes que marcaram gerações inteiras: “Os Embalos de Sábado à Noite”, “Dirty Dancing” e “Jurassic Park” carregam a marca da sua percussão.

Uma estrela que pertence ao Brasil

Na cerimônia desta quarta, Paulinho não esqueceu de onde veio. “Essa estrela não é só minha, essa estrela é nossa”, disse o músico, mandando o recado direto ao Brasil.

A frase resume tudo. A trajetória dele não é a de alguém que abandonou as raízes para fazer sucesso fora. É a de um artista que transformou as ruas do subúrbio carioca em linguagem universal.

Nenhum prêmio, Grammy ou troféu conta essa história com mais clareza do que uma estrela cravada no asfalto de Hollywood com o nome de um filho de Irajá.

O que esse momento significa

O Brasil sempre teve presença na música mundial. Bossa Nova, samba, baião, tropicália. Mas a representação formal, aquela que fica gravada em pedra no endereço mais famoso do showbiz, nunca tinha chegado a um artista brasileiro nascido aqui.

Paulinho da Costa abriu essa porta. E fez isso da forma mais legítima possível: não com marketing, não com viralização, mas com cinco décadas de trabalho real, em estúdios reais, ao lado dos maiores nomes da história da música popular.

Quando a cerimônia terminar e a estrela for revelada na Vine Street, uma coisa estará clara para quem entende do jogo: o som que Hollywood acabou de homenagear nasceu nas rodas de samba da Zona Norte do Rio.

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