Emicida voltou ao palco do Coala Festival em 12 de setembro, encerrando um intervalo de nove anos desde sua participação anterior no evento.
No Memorial da América Latina, em São Paulo, o rapper apresentou a turnê “Emicida Racional MCMV” e levou Jotapê e Puro Suco como convidados.
O retorno funcionou como ponte entre a própria formação de Emicida e artistas que representam caminhos diferentes da nova geração do rap.
Retorno ao Coala acontece em nova fase de Emicida
A apresentação foi a primeira de Emicida no festival desde 2017 e chegou em um momento no qual o rapper revisita referências fundamentais.

A turnê conversa com ‘Emicida Racional VL 2 – Mesmas Cores & Mesmos Valores’, projeto que recoloca a influência dos Racionais MC’s no centro.
Em vez de tratar essa influência apenas como memória, o show liga repertório, formação artística e continuidade entre diferentes gerações do hip-hop.
Essa leitura ganha força justamente no Coala, festival que construiu parte de sua identidade aproximando música brasileira contemporânea e artistas de diferentes cenas.
A escolha também ajuda a reposicionar a ideia de legado: o passado aparece como ferramenta para organizar referências e abrir novas conexões.
Jotapê leva a linhagem das batalhas para o palco
Jotapê chegou ao encontro com uma trajetória marcada pelo freestyle e pelas batalhas de rima, território que também faz parte da origem de Emicida.
A presença dos dois no mesmo palco cria uma linha direta entre momentos diferentes da cultura de batalha em São Paulo.
Nos últimos anos, Jotapê ampliou sua atuação para gravações e plataformas, sem abandonar a relação com competições e encontros de improviso.
Por isso, o convite vai além de uma participação pontual: ele conecta experiência, renovação e um mecanismo histórico de formação de MCs.
Puro Suco amplia a ponte para fora de São Paulo
O Puro Suco adiciona outra geografia a essa conversa. O grupo nasceu nas periferias do Distrito Federal e reúne Murica, Peres e o produtor BEATDOMK.
A participação coloca a cena brasiliense dentro de um show construído para olhar a história do rap sem limitar essa história ao eixo paulista.
Com Jotapê e Puro Suco, Emicida transforma o retorno ao Coala em um gesto de circulação, não apenas em uma retomada pessoal.
Depois de nove anos, a volta ao festival mostra um artista revisitando suas bases ao mesmo tempo em que abre espaço para vozes que seguem expandindo o rap brasileiro.
Esse recorte amplia o alcance simbólico do show e reforça a noção de que a renovação do rap brasileiro acontece em várias cidades ao mesmo tempo.








