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Klisman lança “A Estrela da Rua.”, segundo volume que mostra o lado mais vulnerável do trap baiano

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Mauro S Pereira

Imagem: Internet

O rapper baiano Klisman colocou nas plataformas, na terça-feira (20), o álbum “A Estrela da Rua.”, com 11 faixas. O disco chega pela NADAMAL, com distribuição da ONErpm, menos de um mês depois de “Antes do Menino Nascer”, lançado em 22 de setembro, e funciona como o segundo volume de um mesmo projeto.

Juntos, os dois títulos formam uma frase: “Antes do menino nascer, a estrela da rua”. É assim que o artista costura a história da infância no Centro Histórico de Salvador com o momento atual da carreira.

Trap de pista dá lugar ao lado melancólico

Se o primeiro álbum apostava num trap de festa, mais voltado para a pista, o novo trabalho vai no sentido contrário. Em entrevista divulgada com o lançamento, o próprio Klisman descreve o disco como “o inverso da primeira parte”, feito para mostrar um lado mais vulnerável, ligado a sentimentos, a relacionamentos e à fase que viveu quando escreveu as músicas.

O som transita entre o trap e o R&B. A faixa-foco é “SUV 2027”, e a tracklist inclui ainda “Money”, “Barcelona”, “Date”, “iPhone”, “Fragmentos”, “Sangue” e “Madonna”, que fecha o álbum.

Participações e referências

O projeto reúne Dallass, Jimyy, Alee e Daz Ruas. Na produção, assinam nomes como Saboya, OG Bahia, Plant, Viper, Rocco, Nicolas Arashiro, Jackwylie, Natemorgan, Drummond e QualyWav1.

Dois títulos chamam atenção pelas referências. “Deus e Mano Brown”, com Dallass e produção de Drummond, cita o nome de um dos maiores da história do rap nacional logo no título e liga o trap baiano da NADAMAL à escola que moldou o gênero no país. Já “Lean e Lil Wayne” olha para o rap norte-americano. Em “Sangue”, Klisman reencontra Alee e Daz Ruas.

A faixa que abre o disco, “Estrela da Rua”, também traz Dallass e dá nome ao projeto. Segundo o rapper, o título nasceu de quando ele era criança e se imaginava como o moleque que sairia do Centro Histórico guiado por uma estrela capaz de fazer o impossível acontecer.

Momento de aceleração

O lançamento acontece num período movimentado para o artista. Em 2025, CHTC? (Centro Histórico Tá Como?) foi apontado por ele como o maior feito da trajetória e ajudou a projetar seu nome para além da Bahia. Em 2026, o álbum colaborativo com Alee, Para: Todas Que Fingi Amar, estreou entre os 10 mais ouvidos do mundo no Spotify, segundo a Rolling Stone Brasil, e registrou a nona maior estreia da semana na plataforma.

O Mundo da Rua já mostrou como o primeiro volume trocou o retrato de Salvador pela própria infância. Agora, o segundo capítulo muda o clima sem abandonar as raízes.

Por que importa

Lançar dois álbuns com menos de 30 dias de diferença não é comum, e a decisão mostra um artista em ritmo de produção alto, num momento em que o trap nordestino ganha espaço no cenário nacional. A aposta em um disco mais íntimo logo depois de um álbum de festa também amplia a imagem de Klisman: de nome de pista a letrista disposto a expor fragilidades. O ponto final no título sugere uma pausa, não o fim do caminho.

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