Major RD colocou o nome no centro do debate ao apresentar a proposta de ALFA, seu terceiro álbum de estúdio, previsto para 29 de julho de 2026.
Além disso, o projeto chega como o primeiro pela Warner Music Brasil e marca uma nova etapa na caminhada do rapper carioca. A conversa, porém, ganhou força para além da tracklist.
Ao questionar por que parece mais fácil rimar sobre violência do que admitir dor, Major abriu uma discussão que, rapidamente, virou cobrança pública dentro da cena.
ALFA marca nova fase de Major RD
Depois de anos construindo uma carreira independente, Major RD chega em ALFA com mais estrutura, participações fortes e uma ambição clara de ampliar o alcance sem abandonar a identidade de rua.
Nesse sentido, o álbum conecta gerações e reforça uma mudança de escala no corre do artista.

Ainda assim, o peso do lançamento não está apenas nos nomes envolvidos.
Conhecido por barras afiadas, flow solto e uma estética ligada à rua, Major tenta reposicionar o próprio discurso em um momento de maior exposição.
Discurso sobre vulnerabilidade divide a cena
A frase que incendiou a conversa foi direta: “por que temos vergonha de mostrar o que machuca?“.
Para Major RD, existe um tabu no rap e no trap quando o assunto sai da postura dura e entra em tristeza, fraqueza ou ferida emocional.
Além disso, a capa de ALFA reforça essa intenção. Nela, o rapper aparece vestido como Nossa Senhora, puxando referências de fé, proteção familiar e criação católica.
Por outro lado, a provocação chegou em um território sensível.
O rap brasileiro sempre carregou relatos de perda, trauma, medo, fé e sobrevivência; portanto, parte do público entendeu a fala como uma leitura limitada sobre a própria história do movimento.
🚨 Major RD reflete sobre vulnerabilidade no rap e questiona vergonha de demonstrar sentimentos na música
"Já percebeu que nós do rap, nós tem mania de falar: 'eu meto bala, eu, eu faço, aconteço, nós dá bala no fulano […] nós fala uns bagulho muito ruim, sem ter vergonha, sem… pic.twitter.com/ep9NZjIhOd
— Rap Mais (@RapMais) July 25, 2026
Críticas apontam generalização sobre o rap nacional
A resposta das redes veio pesada. Muitos ouvintes rebateram a ideia de que a cena teria vergonha de falar sobre vulnerabilidade e lembraram artistas que já exploram esse campo há anos, tanto no mainstream quanto no underground.
Nesse debate, nomes como BK, Leall, Emicida, Sant, Rashid, Black Alien, Cesar MC, Derxan, TZ, Orochi e Oruam foram citados como exemplos de artistas que tratam de dor, conflitos internos e fragilidade sem abandonar a força das barras.
No entanto, a crítica não ficou só no campo musical.
Comentários também apontaram contradições na postura de Major RD, principalmente por causa da imagem mais dura que marcou parte da sua trajetória e de tretas antigas envolvendo temas ligados à depressão.
Com isso, ALFA já chega cercado por expectativa e atrito antes mesmo do lançamento.
A pergunta feita por Major segue potente; entretanto, a reação mostra que o rap nacional não aceita ser resumido a um bloco único.
No fim, a disputa não é apenas sobre vulnerabilidade, mas também sobre memória, coerência e respeito ao que a cena já construiu.










