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Natália Carneiro Transforma Parede do Senado Federal em Manifesto de Arte Urbana pela Diversidade

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Mauro S Pereira

Uma parede cinza no coração do poder legislativo brasileiro ganhou vida e cor. A artista visual brasiliense Natália Carneiro assina o novo mural cívico do Senado Federal, inaugurado no dia 3 de agosto de 2026 na lateral do Bloco 10, voltada para a via N2, em Brasília. Com quase 70 metros quadrados de arte urbana, a obra se tornou um manifesto visual sobre respeito, diversidade, inclusão e equidade — e prova que a arte de rua tem espaço até nos lugares mais formais do país.

Uma Obra que Fala com Quem Passa

O mural integra a campanha Respeito é Regra – 2026, promovida pela Diretoria-Geral do Senado com apoio do Sindilegis. Mas o que poderia ser apenas uma peça institucional se transformou em algo muito maior nas mãos de Natália Carneiro. A artista criou uma composição vibrante que reúne personagens de diferentes corpos, tons de pele, identidades de gênero e origens — incluindo uma mulher indígena, pessoas com deficiência, neurodivergentes e representantes da comunidade LGBTQIA+.

  • Quatro palavras centrais saem de um megafone: “respeito”, “solidariedade”, “acolhimento” e “equidade”
  • Um homem ao lado de uma flor subverte a ideia de masculinidade associada à brutalidade
  • Uma mulher indígena estende a mão, convidando à integração das pautas representadas
  • O cordão de girassol — símbolo internacional das deficiências ocultas — aparece na composição
  • Referências a diferentes religiões e idades completam o painel

Do Papel à Parede: O Processo Criativo

Natália Carneiro recebeu o convite para o mural em fevereiro de 2026, depois que suas ilustrações para o livro Como não ser um babaca — publicado com apoio do Sindilegis — circularam entre os servidores da Casa. O projeto nasceu no papel, foi refinado digitalmente e depois projetado na parede antes do início da pintura, que durou oito dias e começou em 16 de julho.

Para dar conta das dimensões da obra, a artista contou com o apoio de estudantes do projeto de extensão Biombo, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (UnB). A experiência se transformou em um espaço de troca sobre muralismo, mercado de trabalho e processos criativos — um legado que vai além das paredes pintadas.

Arte Urbana Como Ferramenta de Transformação

O mural do Senado Federal é mais um exemplo de como a arte urbana brasileira vem ocupando espaços institucionais e públicos com força e intenção. Natália Carneiro, que tem uma trajetória consolidada na cena artística de Brasília, vê na obra um dos momentos mais importantes de sua carreira: “O Congresso é um grande vetor de mudanças para o país e palco de fatos históricos. Poder deixar minha arte nesse espaço, falando sobre respeito e inclusão, é um dos trabalhos mais gratificantes que já realizei”, afirmou a artista.

Quando a arte de rua encontra o coração do poder, a mensagem ganha uma dimensão diferente. O mural de Natália Carneiro não é apenas uma pintura bonita — é um lembrete colorido, visível a quem passa pela via N2 todos os dias, de que a diversidade não é pauta de nicho: é a base de qualquer sociedade que se pretende justa.