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BK’ assina com a Interscope e prepara álbum de remixes de “Castelos & Ruínas”

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Mauro S Pereira

Imagem: Internet

O rap brasileiro ganhou uma nova ponte com os Estados Unidos. Nesta sexta-feira (6), a Interscope Records anunciou que BK’ é o primeiro artista contratado pela operação da gravadora no Brasil. O primeiro projeto da parceria será um álbum de remixes de Castelos & Ruínas, disco de estreia do rapper, que completa dez anos.

O que foi anunciado

O álbum de remixes terá novas produções e participações especiais. Data de lançamento, lista de faixas e convidados ainda não foram divulgados.

A estreia olhando para trás faz sentido: Castelos & Ruínas saiu de forma independente em 2016 e é o trabalho que colocou BK’ no centro do rap nacional. Os valores do acordo não foram revelados.

Em comunicado, o rapper afirmou que a Interscope foi a casa de alguns dos nomes mais importantes da história do rap e que perceber o quanto a equipe acreditou no que ele está construindo tornou a decisão mais fácil.

Supernova também entra na jogada

No mesmo dia, a Interscope anunciou uma parceria de distribuição exclusiva com a Supernova Ent., gravadora independente fundada por Gustavo Pimentel (CEO) e pelo produtor Nagalli. O selo cuida da carreira de Veigh e reúne nomes como G.A, Ghard e Niink.

O acordo cobre o catálogo da Supernova e prevê trabalho conjunto na contratação e no desenvolvimento de novos artistas. Uma nova mixtape do selo deve sair ainda em 2026.

As duas frentes são os primeiros movimentos da gravadora no país, depois de quase dois anos de estudo do mercado. Quem conduz a chegada é José Cedeño, vice-presidente executivo e gerente-geral da Interscope Capitol Miami, braço que cuida da América Latina.

Segundo Cedeño, a ideia não é encher o elenco: “Não estamos tentando assinar 500 artistas, mas sim achar os artistas certos”, disse em entrevista. Ele também deixou claro que ninguém precisará cantar em inglês ou espanhol para trabalhar com a empresa.

Contexto: de selo próprio a major global

BK’ construiu a carreira de forma independente. Em 2021, fundou a Gigantes, selo que leva o nome do seu segundo álbum, de 2018. Ainda não está claro como fica a relação entre a Gigantes e a Interscope, nem se os próximos discos sairão pelo selo dele em parceria com a gravadora americana.

O momento é de celebração do disco de 2016. Há poucas semanas, o filme dos 10 anos de Castelos & Ruínas levou Ouro no Clube de Criação, e o rapper também lançou uma segunda tiragem do vinil comemorativo.

Por que importa para a cena

A Interscope é associada a alguns dos maiores nomes do hip hop americano e abriga selos como Aftermath, Shady e Dreamville. Escolher o rap e o trap como porta de entrada no Brasil é um sinal claro do peso dos gêneros no mercado local.

Os números ajudam a explicar a aposta. Segundo a IFPI, citada pela imprensa, a música gravada no Brasil cresceu 14,1% em 2025 e o país é o oitavo maior mercado do mundo.

Para a cena, o acordo mostra que é possível chegar à estrutura global de uma major depois de uma trajetória independente. Resta saber quais nomes vão aparecer nos remixes e como a Interscope vai trabalhar o catálogo de BK’ fora do país.