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Oruam sai da clandestinidade: novo habeas corpus devolve liberdade ao rapper no RJ

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Mauro S Pereira

O rapper Oruam deixou de ser considerado foragido após a 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro conceder, por unanimidade, um novo habeas corpus em 23 de setembro. A decisão afastou o último mandado de prisão em aberto contra o artista, permitindo que ele responda em liberdade ao processo por suposta lavagem de dinheiro ligada ao Comando Vermelho.

Mauro Davi dos Santos Nepomuceno é réu ao lado do pai, Márcio Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, e de outros nove investigados. Segundo informações do Judiciário citadas pela CNN Brasil, a investigação envolve suspeitas de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A decisão levou em conta o papel secundário atribuído ao rapper no núcleo familiar investigado.

Em agosto, Oruam já havia obtido outro habeas corpus, no caso que envolvia a acusação de tentativa de homicídio contra dois policiais civis. Nesse processo, a Justiça apontou que não havia provas de que o artista tivesse atirado uma pedra de 4,85 quilos e encaminhou a ação para uma vara criminal comum. Ainda restava, porém, a ordem de prisão relacionada à suposta lavagem de dinheiro, afastada em setembro.

A liberdade não encerra a disputa judicial. Ao Metrópoles, o advogado Thiago Lemos informou que a defesa pretende buscar o trancamento da ação penal. Ele sustenta que o processo foi formado por provas ilícitas e afirma que essa alegação está amparada em laudo pericial.

Fora dos autos, Oruam descreveu os efeitos do período de reclusão sobre a vida pessoal e a carreira. Em nota enviada à coluna Fábia Oliveira, reproduzida pela RedeTV! em 5 de outubro, o rapper afirmou: “Foram meses muito difíceis, de muita pressão e de muita coisa acontecendo ao mesmo tempo.”

Na mesma manifestação, o artista colocou a continuidade do trabalho musical entre suas prioridades. “Hoje eu só quero valorizar a liberdade, minha família, meus fãs e a oportunidade de continuar fazendo música. Eu sempre usei a música para falar o que estou sentindo”, declarou. Sua fala situa a criação artística como uma forma de elaborar a experiência vivida durante o afastamento.

Oruam também destacou a relação com o público nesse período: “Se eu consegui atravessar tudo isso, foi também porque senti que meus fãs continuaram comigo.” O relato aproxima o desdobramento judicial de seus efeitos sobre a rotina de um rapper: o afastamento dos palcos, a pressão pessoal e a necessidade de manter o vínculo com quem acompanha seu trabalho.

O caso, que mobilizou o rap nacional nos últimos meses, recoloca em discussão o encarceramento de artistas da periferia e as denúncias de perseguição que atravessam esse debate. A concessão do habeas corpus, por si só, não comprova perseguição nem representa absolvição. Para Oruam, a mudança concreta é poder responder ao processo em liberdade, enquanto expressa o desejo de continuar fazendo música.