Brandão mira página, acerta trap do RJ; Orochi erra Leviano e compra briga com underground

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Moyses

Brandão85 x Leviano x Orochi
Imagem: Edição/MDR

Brandão parecia mirar uma página de trap, mas acabou acertando uma cena inteira. A discussão com a Trap RJ/Trappers RJ saiu do campo das redes sociais e virou um debate maior sobre originalidade, repetição e poder dentro da cena do trap br.

A frase que incendiou o assunto foi direta: para Brandão, o trap do Rio de Janeiro teria “falido” e estaria preso na “mesmice de sempre”. A fala foi lida por fãs e artistas cariocas como um ataque coletivo, não apenas como uma resposta a uma página.

O episódio ganhou ainda mais força quando Orochi entrou na conversa. Ao tentar defender o Rio e responder Brandão, o dono da Mainstreet também trouxe Leviano para o centro da treta, reacendendo uma crise que já vinha crescendo nas últimas semanas.

Brandão mira a Trap RJ e transforma crítica em ataque ao Rio

O estopim começou com uma provocação pública envolvendo Brandão e uma página ligada ao trap carioca. A discussão poderia ter ficado restrita ao ambiente do X, porém ganhou outro peso quando o artista generalizou sua crítica ao som feito no Rio.

Capa do lançamento 'Espinafre' com Brandão085
Imagem: Reprodução

Ao dizer que o trap RJ estaria repetitivo, Brandão tocou em um ponto sensível. Parte do público concordou com a leitura e passou a defender que a cena carioca teria se aproximado demais de uma fórmula previsível, com flows parecidos e estética cada vez menos surpreendente.

Por outro lado, fãs do Rio reagiram apontando a importância de nomes como Orochi, Oruam, Borges, Chefin, Poze e outros artistas que ajudaram a transformar o trap carioca em um fenômeno nacional.

A treta, então, deixou de ser sobre uma página. Passou a ser sobre quem tem autoridade para dizer qual cena ainda representa inovação no trap brasileiro.

Orochi responde Brandão e leva Leviano para a mesma fogueira

Orochi entrou em campo como defensor do Rio. Em live, criticou Brandão, questionou sua originalidade e afirmou que artistas de fora deveriam respeitar a história da cena carioca.

Bin, Orochi e Leviano
Imagem: Reprodução – Edição/MDR

Só que a resposta não parou em Brandão. No mesmo movimento, Orochi também falou sobre Leviano, artista que está em rota de colisão com a Mainstreet. O rapper já havia lançado diss contra a gravadora e transformado sua insatisfação em assunto público.

Esse foi o ponto de virada. Ao tentar diminuir Leviano e tratar a diss como algo sem força suficiente para resposta, Orochi acabou dando ainda mais visibilidade ao conflito.

Na prática, a live uniu duas frentes: a defesa do trap do Rio contra Brandão e a crise interna da Mainstreet com Leviano.

Underground vê brecha e transforma treta em disputa de poder

A reação do underground não veio apenas por causa de Brandão. Parte do público passou a enxergar a treta como símbolo de um incômodo maior com a concentração de poder no trap carioca.

De um lado, há quem defenda a Mainstreet como uma estrutura que abriu portas, levou artistas da favela para outro patamar e colocou o Rio em destaque nacional.

De outro, cresce a leitura de que a cena precisa de renovação, mais espaço para artistas independentes e menos dependência de grandes grupos, selos e panelas.

Leviano no palco do Plantão Festival
Imagem: Reprodução/Youtube

Treta mostra crise de identidade no trap brasileiro

A força dessa história está no efeito dominó. Brandão mirou uma página, mas acertou o orgulho do trap carioca. Orochi mirou Leviano, porém acabou comprando uma briga maior com o underground.

No fim, a treta revela uma pergunta que ronda o gênero há algum tempo: o trap brasileiro ainda está criando novas linguagens ou apenas repetindo fórmulas que já deram certo?

Enquanto Brandão tenta se posicionar como voz de renovação, Orochi defende o legado do Rio e Leviano aparece como personagem de ruptura dentro da própria Mainstreet.

A briga ainda pode ganhar novos capítulos. Por enquanto, ela já mostrou que o trap nacional vive uma disputa que vai muito além de insultos em live: é uma guerra por narrativa, território e futuro.