O trio brasiliense Puro Suco colocou nas plataformas nesta sexta-feira (6) o seu terceiro álbum de estúdio, A Contribuição Milionária de Todos os Erros. São 12 faixas, com participações de Emicida, Tribo da Periferia, Clara Lima e Douglas Germano, e a chegada acontece três anos depois de Cacau (2023).
O grupo é formado pelos MCs Murica e Peres e pelo produtor BEATDOMK, e está perto de completar dez anos de estrada.
Quem está no disco
A principal colaboração é com Emicida, em “7 Mil Caminhos”. A relação vem de antes: o rapper paulista já havia citado a “Rataria Popular Brasileira”, nome do disco de estreia do trio, na faixa “Vença”, dividiu o palco com o grupo e lançou o single “RPB”.
Os pioneiros do rap de Brasília, a Tribo da Periferia, aparecem em “Pato Feio”. A mineira Clara Lima assina presença em “Lapada Seca”, e o sambista paulistano Douglas Germano participa de “As Bençãos – Interlúdio”, com cordas e interlúdios que levam o samba paulista para dentro do álbum.
Para Murica, ter Emicida e a Tribo no projeto funciona como reconhecimento: “Nosso rap é reconhecido pelos nossos mestres e professores”, disse ele à Rolling Stone Brasil.
Do título ao som
O nome do álbum vem do “Manifesto Pau-Brasil” (1924), de Oswald de Andrade. Murica explica que a ideia é aplicar ao rap a lógica de uma língua viva, feita da contribuição de todos os erros: se os erros trouxeram o grupo até aqui, “foi bom errar desse jeito”, e a meta agora é “errar melhor”.
Na sonoridade, o trio mantém a crueza do sample e do boombap, mas abre espaço para ritmos quebrados e texturas eletrônicas, com referências ao UK garage. O processo juntou a bagagem literária de Murica, a pesquisa de samples de BEATDOMK e a mixagem de Peres. A capa traz cavalos de cores diferentes, uma alusão ao ano do cavalo no calendário oriental, segundo o MC.
Um grupo que não corre
Formado no Distrito Federal em 2017, o Puro Suco construiu a própria identidade longe das pressões do mercado. O intervalo entre os discos é parte disso. “Cada disco nosso demora pra sair”, afirma Murica, que diz preferir música “de coração” e que “vem da necessidade, não de uma pressão externa”.
O trio também se afasta do rótulo de “rap tropicalista” que acompanhou parte da carreira. “A gente é rap, a gente é música brasileira, com a nossa herança melódica”, resume o MC.
Por que importa
Ver o Puro Suco ao lado de nomes de gerações diferentes, do rap do Distrito Federal ao samba paulista, reforça a força da cena de Brasília e a aposta num rap que dialoga com a música brasileira sem abrir mão do beat.
Quem acompanha a cena pode ler também como Emicida voltou ao Coala e aproximou Jotapê e o Puro Suco ainda em setembro.



