Agora, no dia 8 de maio de 2026, The Other Side, de Seu Jorge, chega como um dos discos mais sofisticados da música brasileira recente e talvez um dos melhores do ano. Seu Jorge entregou muito com essa pedrada Resultado de um processo de mais de 15 anos de trabalho, o álbum foi descrito pelo próprio artista como “o melhor trabalho” de sua carreira.
Mas reduzir o disco a um exercício de refinamento seria pouco. The Other Side é, na prática, um ponto de encontro entre tradição, cultura urbana e linguagem contemporânea, um disco que dialoga diretamente com a lógica do rap e da reinterpretação.
A sonoridade do álbum
A sonoridade do álbum mergulha em uma bases clássicas: samba, bossa nova, MPB e jazz, com arranjos orquestrais densos e cinematográficos. Só que o movimento mais interessante está em como Seu Jorge reorganiza esse repertório e empunha a própria voz.
Ao revisitar nomes como Lô Borges e Arthur Verocai, o disco opera numa lógica muito próxima do hip-hop: não é cover, é releitura como reconstrução estética, como se cada faixa fosse um sample expandido.
Pontos altos do disco
“Vento de Maio” com Maria Rita
Destaco como ponto alto do disco: “Vento de Maio”, clássico dos irmãos Borges, aqui reinterpretado com Maria Rita. A faixa não é apenas bonita, ela é destruidora na execução! A voz de Seu Jorge contorna os versos e dá potência, combinando com a sutileza de Maria Rita. Se fosse rap, seria um clássico como “Se tu lutas tu conquistas, ou “Jorge da Capadócia”.
“Caboclo” e o diálogo com o rap
E o segundo ponto, é “Caboclo” (de Arthur Verocai) é aqui que o álbum conversa diretamente com o universo do rap, a atmosfera gerada na música é algo que vemos na música de rua, nos raps undergrounds, que se misturam com o jazz.
O trabalho de Verocai já foi extremamente utilizado por rappers brasileiros e gringos. E além dos samples, o próprio Verocai pulou no universo do rap no último álbum em que contou com participações advindas da rua, como a de Mano Brown.
A versão de Seu Jorge de “Caboclo” é daqueles jazz brasileiros que vai cair no gosto de produtores musicais facilmente.
A produção de Mario Caldato Jr.
Seu Jorge mistura jazz e música brasileira de uma forma brilhante como já faziam os mestres nos anos 70, 80. A produção de Mario Caldato Jr. conhecido por trabalhos com os Beastie Boys reforça ainda mais essa conexão com o universo do Hip Hop.
O álbum é uma pérola que vai ecoar muito este ano.










