The Other Side, de Seu Jorge: Resenha do Álbum de 2026

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Andre Simoes

Foto: Reprodução / Instagram

Agora, no dia 8 de maio de 2026, The Other Side, de Seu Jorge, chega como um dos discos mais sofisticados da música brasileira recente e talvez um dos melhores do ano. Seu Jorge entregou muito com essa pedrada Resultado de um processo de mais de 15 anos de trabalho, o álbum foi descrito pelo próprio artista como “o melhor trabalho” de sua carreira.

Mas reduzir o disco a um exercício de refinamento seria pouco. The Other Side é, na prática, um ponto de encontro entre tradição, cultura urbana e linguagem contemporânea, um disco que dialoga diretamente com a lógica do rap e da reinterpretação.

A sonoridade do álbum

A sonoridade do álbum mergulha em uma bases clássicas: samba, bossa nova, MPB e jazz, com arranjos orquestrais densos e cinematográficos. Só que o movimento mais interessante está em como Seu Jorge reorganiza esse repertório e empunha a própria voz.

Ao revisitar nomes como Lô Borges e Arthur Verocai, o disco opera numa lógica muito próxima do hip-hop: não é cover, é releitura como reconstrução estética, como se cada faixa fosse um sample expandido.

Pontos altos do disco

“Vento de Maio” com Maria Rita

Destaco como ponto alto do disco: “Vento de Maio”, clássico dos irmãos Borges, aqui reinterpretado com Maria Rita. A faixa não é apenas bonita, ela é destruidora na execução! A voz de Seu Jorge contorna os versos e dá potência, combinando com a sutileza de Maria Rita. Se fosse rap, seria um clássico como “Se tu lutas tu conquistas, ou “Jorge da Capadócia”.

“Caboclo” e o diálogo com o rap

E o segundo ponto, é “Caboclo” (de Arthur Verocai) é aqui que o álbum conversa diretamente com o universo do rap, a atmosfera gerada na música é algo que vemos na música de rua, nos raps undergrounds, que se misturam com o jazz.

O trabalho de Verocai já foi extremamente utilizado por rappers brasileiros e gringos. E além dos samples, o próprio Verocai pulou no universo do rap no último álbum em que contou com participações advindas da rua, como a de Mano Brown.

A versão de Seu Jorge de “Caboclo” é daqueles jazz brasileiros que vai cair no gosto de produtores musicais facilmente.

A produção de Mario Caldato Jr.

Seu Jorge mistura jazz e música brasileira de uma forma brilhante como já faziam os mestres nos anos 70, 80. A produção de Mario Caldato Jr. conhecido por trabalhos com os Beastie Boys reforça ainda mais essa conexão com o universo do Hip Hop.

O álbum é uma pérola que vai ecoar muito este ano.

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