Hip-Hop pelo Fim do Feminicídio

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Wellington Cruz

Hip Hop Pelo Fim do Feminicidio
Divulgação

Mais de 50 mulheres — rappers, slammers, MCs, grafiteiras, educadoras e sobreviventes — se reuniram para gritar em verso o que o Brasil insiste em silenciar. O ebook Hip-Hop pelo Fim do Feminicídio é um grito coletivo, um memorial vivo e um ato político que nasce da periferia para sacudir o país inteiro.

Um memorial escrito para não silenciar

O ebook reúne poesias inéditas de mulheres de todo o Brasil, aprovadas por curadoria e organizadas pelo Núcleo de Estudos, Organização e Difusão do Conhecimento sobre Literatura Marginal (NEOLIM), em parceria com o Coletivo Poesia nas Quebradas e o Instituto Periferia Livre.

Os poemas percorrem temas como o ciclo da violência doméstica, o medo cotidiano, a culpabilização da vítima, o silêncio imposto e a revolta que pulsa — sempre a partir de quem vivenciou essas realidades. Não é ficção. É escrevivência, no sentido cunhado por Conceição Evaristo: escrita que nasce da experiência, da memória coletiva e da recusa ao apagamento.

“Quem escreve este livro não escreve sobre violência como teoria distante. Muitas escrevem a partir da sobrevivência — e talvez seja justamente por isso que a poesia ocupa um lugar tão importante nesta coletânea.”— Ravena Carmo e Eulla Yaá, organizadoras

Entre os títulos estão “Parem de nos matar”, “Ela disse que não”, “Amor que mata”, “Estatística”, “Não foi caso isolado” e mais de quarenta outros textos que confrontam o machismo estrutural, o racismo e a LGBTfobia — pilares que sustentam o feminicídio no Brasil.

Contexto

O Hip-Hop como ferramenta de enfrentamento

Nas periferias brasileiras, o Hip-Hop sempre cumpriu o papel que Paulo Freire descreveu como leitura crítica do mundo: denunciar o genocídio da juventude negra, a violência policial, a fome e o abandono do Estado. Mas as mulheres precisaram disputar espaço até mesmo dentro do próprio movimento para que suas dores fossem ouvidas.

Este livro é também uma resposta a esse apagamento. Conta com prefácio de Sharylaine, reconhecida como a primeira rapper mulher do Brasil, e com a participação de Isa Negratcha (SE), rapper e ativista pelos direitos humanos, e de Edd Wheeler, integrante do primeiro grupo feminino de hip-hop do Rio de Janeiro, As Damas do Rap.

“O hip-hop não é cenário aqui, é ferramenta, linguagem e estratégia de enfrentamento.”— Apresentação do livro

A publicação é fruto de mais de 15 anos de trabalho da Frente Nacional de Mulheres no Hip-Hop, que segue fortalecendo o protagonismo feminino dentro da cultura, construindo caminhos de resistência e formação política em todo o país.

Por que apoiar

Arte periférica também produz conhecimento

Segundo os dados levantados durante a seleção das autoras, parte significativa das participantes já viveu situações de violência doméstica — algumas já solicitaram medida protetiva. Outras narraram processos de reconstrução da própria vida após relacionamentos abusivos. Essas são mulheres que pegam ônibus lotado, trabalham o dia inteiro, sustentam casas, cuidam dos filhos e, ainda assim, encontram força para escrever.

Quando uma mulher periférica escreve e publica, ela rompe uma estrutura que durante muito tempo disse que sua voz não era importante. Apoiar este ebook é reconhecer que a periferia não é apenas espaço de dor — é território de ciência, arte, afeto e reinvenção.

Além disso, a obra inclui mulheres cis, trans e travestis no mesmo espaço de dignidade e palavra, reafirmando que lutar pelo fim do feminicídio significa lutar para que todas as mulheres tenham direito à vida.

Realização

  • NEOLIM
  • Coletivo Poesia nas Quebradas
  • Instituto Periferia Livre
  • Casa da Mulher no Hip-Hop DF
  • Frente Nacional de Mulheres no Hip-Hop

Leia, compartilhe e amplifique

O ebook está disponível gratuitamente. Divulgar esta obra é um ato de resistência. Porque diante do feminicídio, o silêncio também mata.

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