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MC Hariel e MC Rah lançam clipe de Sabor Desonestidade

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Mauro S Pereira

mc hariel mc rah
Imagem: Internet

MC Hariel e MC Rah lançaram nas últimas horas o clipe visualizer de “Sabor Desonestidade”, produção assinada por DJ Justin que já circula nas redes desde a prévia divulgada há algumas semanas. Mais do que um lançamento pontual, a faixa expõe um movimento estratégico dentro do funk paulista: o de um artista consolidado usando seu alcance para projetar um nome que ele próprio ajudou a formar.

O timing do lançamento não é acidente. MC Hariel atravessa, neste momento, a fase mais introspectiva de sua carreira, sustentada pelo EP “A Vida É Um Freestyle”, lançado em abril pela Warner Music Brasil em parceria com a GR6. Enquanto esse projeto segue explorando vivências pessoais e reflexões sobre trajetória, “Sabor Desonestidade” cumpre outra função dentro do ecossistema do artista: manter viva a engrenagem de parcerias que sustentou boa parte do domínio comercial do funk paulista nos últimos anos, ao mesmo tempo em que amplia a visibilidade de MC Rah, nome que integra o time de artistas assinados pela Xaolin Records, selo fundado pelo próprio Hariel.

O peso de MC Rah dentro do universo Xaolin

Para entender “Sabor Desonestidade” com profundidade, é preciso olhar além da faixa isolada. MC Rah não é um feat qualquer escalado por conveniência de agenda ou algoritmo. Ele integra, ao lado de nomes como Beatriz Denaro e Kaéssi, a primeira leva de artistas revelados pela Xaolin Records, gravadora estruturada por Hariel a partir de um processo seletivo que reuniu mais de quarenta jovens candidatos. A proposta do selo nunca foi apenas lançar faixas, mas formar carreira: agenciamento, produção de conteúdo, educação sobre direitos autorais e uma lógica de mentoria que Hariel resume como uma escola de música periférica.

Colocar MC Rah ao lado do próprio nome em um clipe com investimento visual, como o visualizer de “Sabor Desonestidade”, é decisão editorial dentro da carreira de Hariel, não coincidência de estúdio. Cada aparição pública de um artista do casting da Xaolin ao lado do fundador do selo funciona como validação de mercado, sinal enviado a gravadoras, agências e ao próprio público de que aquele nome carrega endosso de quem já provou capacidade de leitura de tendência dentro do funk.

A dupla, aliás, não é estreante em parceria. Hariel e MC Rah já dividiram faixa em trabalhos anteriores, incluindo colaborações ao lado de MC Ryan SP e Vulgo FK, o que indica afinidade artística construída ao longo do tempo, e não uma aproximação desenhada apenas pela lógica de selo e contrato. Essa continuidade importa para quem observa o mercado do funk com atenção: parcerias recorrentes tendem a performar melhor com o público do que feats isolados, porque carregam histórico de identificação sonora entre os artistas envolvidos.

Sabor Desonestidade e a manutenção de um repertório de parcerias

Musicalmente, “Sabor Desonestidade” se encaixa dentro de um repertório que MC Hariel já dominou em outras fases da carreira: parcerias de peso, produção de DJ com identidade sonora reconhecível e apelo direto ao público que consome funk nas plataformas de streaming e redes sociais simultaneamente. DJ Justin, responsável pela produção, já circula no mesmo universo de colaborações que uniu Hariel a nomes como MC Ryan SP, Vulgo FK e outros parceiros históricos em faixas anteriores da carreira.

Esse tipo de lançamento cumpre papel distinto dentro da estratégia comercial de um artista do porte de Hariel. Enquanto o EP “A Vida É Um Freestyle” trabalha a construção de imagem de longo prazo, ligada a amadurecimento artístico e responsabilidade social, faixas como “Sabor Desonestidade” sustentam a presença constante nas paradas de streaming e nas redes, onde a lógica de consumo de funk favorece lançamentos frequentes e parcerias que ativam bases de fãs cruzadas. É a combinação entre as duas frentes, a mais reflexiva e a mais imediata, que explica por que Hariel segue relevante em um mercado de renovação acelerada.

O que o visualizer revela sobre o momento do funk paulista

O formato visualizer, cada vez mais comum em lançamentos de funk e trap nacional, também merece leitura própria. Diferente do clipe narrativo tradicional, ele prioriza velocidade de produção e distribuição imediata, o que permite que artistas testem a recepção de uma faixa antes de investir em uma produção audiovisual mais robusta. A escolha por esse formato em “Sabor Desonestidade” sugere estratégia de lançamento em camadas, com a prévia nas redes preparando terreno, o visualizer capturando o primeiro pico de audiência e, possivelmente, um clipe oficial completo caso os números de streaming justifiquem o investimento.

Essa lógica de testar antes de investir pesado se tornou padrão entre gravadoras e selos independentes que operam dentro do funk, exatamente o tipo de conhecimento de mercado que a Xaolin Records busca transmitir aos artistas de seu casting. Ao aparecer dividindo a faixa com MC Rah nesse formato, Hariel não apenas lança uma música, ele demonstra, na prática, o funcionamento da própria escola que fundou.

Vale lembrar que a Xaolin Records nasceu de um investimento pessoal considerável de Hariel, direcionado à construção de estrutura de agenciamento, produção de conteúdo e formação sobre direitos autorais para artistas periféricos em início de carreira. O próprio Hariel já resumiu essa filosofia em entrevistas, ao afirmar que aprender os bastidores do negócio é tão importante quanto dominar o microfone. “Sabor Desonestidade” pode ser lida, dentro dessa lógica, como aula prática: um artista consolidado emprestando audiência e estrutura de lançamento para acelerar a curva de aprendizado de quem ele mesmo escolheu apostar.

Uma parceria que ultrapassa a faixa

“Sabor Desonestidade” funciona, ao mesmo tempo, como produto de consumo imediato e como peça dentro de uma engrenagem maior de formação de mercado dentro do funk paulista. A escolha de Hariel por seguir investindo em parcerias com artistas do próprio selo, mesmo em meio a uma fase de carreira voltada à introspecção, reforça uma lição que a cena vem repetindo há anos: consolidação de mercado e formação de nova geração não são movimentos excludentes, são parte do mesmo projeto. Quem acompanha a trajetória de Hariel desde os vídeos caseiros da Vila Aurora sabe que cada escolha de parceria carrega intenção, e “Sabor Desonestidade” não foge dessa regra.