Newsletter

Fique por dentro das prinpais notícias da cultura urbana.

Pitchfork dá nota 0.0 a Tyga: a primeira em 19 anos

Picture of Moyses

Moyses

Tyga - Foto: Reprodução/ Instagram
Foto: Reprodução/ Instagram

Tyga entrou em uma zona rara da crítica musical com $TARFACE, álbum lançado em 31 de julho de 2026 pelo selo Last Kings / EMPIRE. Além disso, no dia 12 de agosto de 2026, o projeto recebeu nota 0.0, marcando a primeira avaliação desse tipo em 19 anos.

A repercussão, porém, não ficou presa ao número. Pelo contrário, cresceu porque o disco virou símbolo de uma discussão maior: até onde a inteligência artificial pode entrar no processo criativo sem esvaziar a música?

Pitchfork dá nota 0.0 a Tyga e reacende debate histórico

Foto: Reprodução/ Instagram

A avaliação colocou $TARFACE ao lado de poucos discos que receberam a pontuação mínima. Por isso, o caso ganhou peso cultural, principalmente por envolver um nome conhecido do rap mainstream em uma fase de reinvenção estética.

O álbum aparece creditado a $TARFACE / Tyga, com um alter ego inspirado na estética de Scarface, misturando referências de Tony Montana, Elvira e Miami no começo dos anos 80. Ao mesmo tempo, a proposta sonora tenta se aproximar do synth-pop, da new wave, do disco e do Pop-R&B daquela época.

Na prática, o projeto tem cerca de 30 minutos, 10 faixas e coloca Tyga cantando muito mais do que rimando. Portanto, a tracklist ajuda a entender a estrutura desse personagem:

  • SPINNIN IN CIRCLES
  • WHITE GRAINS
  • POWDERED DREAMS
  • JUST US TONIGHT
  • FREEZING
  • GAVE U RACKS
  • TIME IS CURRENCY
  • AFFECTION
  • DIED 4U
  • LAST FOREVER

Uso de IA coloca $TARFACE no centro da polêmica

Antes mesmo da nota 0.0, $TARFACE já vinha sendo questionado por suspeitas de uso pesado de IA generativa. Além disso, a discussão ganhou força pela semelhança sonora apontada entre o álbum e faixas também acusadas de terem sido criadas com esse tipo de tecnologia.

Tyga admitiu o uso de IA como ferramenta, mas defendeu que a escrita e os vocais são dele. Ainda assim, a explicação não encerrou o debate, porque a comparação com o Auto-Tune abriu outra camada sobre autoria, processo e limite criativo.

Nesse contexto, a frase que mais atravessou a internet foi direta: “O álbum confunde amar música com engenharia de prompts.” A partir daí, o projeto virou combustível para memes, críticas e provocações sobre o futuro da criação musical.

O impacto vai além de uma crítica negativa

O caso pesa porque não se trata apenas de um álbum mal recebido. Na verdade, a nota 0.0 expôs uma tensão que já vinha crescendo no rap, no pop e na música urbana: a diferença entre usar tecnologia para ampliar uma visão artística e usar a máquina para ocupar o lugar da criação.

Tyga tentou construir um personagem sem regras, com estética retrô, clima cinematográfico e um som distante da sua zona mais conhecida. No entanto, a recepção pública passou a tratar $TARFACE menos como reinvenção e mais como alerta.

No hip-hop, autenticidade sempre foi moeda forte. Ainda assim, isso não significa rejeitar tecnologia, já que o gênero também nasceu da manipulação de máquinas, samples, beats e novas formas de produção.

A diferença, porém, aparece quando o debate vira prompt, custo baixo e sensação de música sem mão humana. Consequentemente, a rua escuta diferente, cobra presença real e separa ferramenta de atalho.

A nota 0.0 dada a Tyga virou um marco porque conecta crítica, mercado e cultura em um mesmo ponto. $TARFACE pode até ter nascido como alter ego, mas acabou funcionando como teste público dos limites entre artista, ferramenta e produto.

TÓPICOS RELACIONADOS: Destaquehip hopPitchforkTyga