O Mad in Brazza voltou ao centro da conversa do rap nacional após publicar, em 11 de agosto de 2026, um pronunciamento sobre os cancelamentos que atingiram a edição de Curitiba/Pinhais.
O festival pediu desculpas por falhas, reconheceu decisões que poderia ter conduzido de outra forma e colocou na mesa uma discussão maior: a sustentabilidade dos eventos de rap.
A frase que puxou o debate foi direta: o “rap está ficando caro demais para o próprio rap”.
A fala aparece em meio a uma crise que envolve artistas, produção, empresários, público e uma conta cada vez mais difícil de fechar.
Por que o Mad in Brazza diz que o rap ficou caro demais?

No pronunciamento, a organização afirma que os cachês chegaram a níveis muito altos e que o custo de um show não termina no valor pago ao artista.
A produtora também cita hospedagem, passagens, transporte executivo, camarim, alimentação específica, equipes maiores e logística como partes de uma estrutura cada vez mais pesada.
O ponto defendido pelo festival é que boa parte desse investimento acontece antes da venda total dos ingressos.
Nesse cenário, a produção assume risco financeiro alto enquanto tenta entregar estrutura, palco, segurança e experiência para o público.
Mesmo com a crítica, o texto não coloca os artistas como vilões.
A organização reconhece que eles precisam ser valorizados, porém cobra mais participação na divulgação, no cumprimento dos compromissos e na sensibilidade diante dos limites da produção.
Quais artistas cancelaram shows no festival?
A crise ganhou força em 7 de agosto, véspera da edição de Curitiba/Pinhais, quando Veigh, L7NNON, Alee e 2ZDinizz cancelaram suas apresentações.

As equipes dos artistas alegaram problemas ligados ao cumprimento de obrigações contratuais.
O festival manteve o evento em 8 de agosto, mesmo com mudanças no line-up.
A atração internacional Ty Dolla $ign se apresentou, enquanto a ausência dos nomes nacionais ampliou a repercussão e abriu espaço para diferentes versões sobre o que aconteceu.
Antes disso, a edição de São Paulo, prevista inicialmente para 9 de agosto, já havia sido remarcada para 16 de agosto.
O festival reconheceu erros e abriu uma ferida do mercado
A parte mais importante do pronunciamento é a tentativa de equilibrar defesa e autocrítica.
O Mad in Brazza admite erros, pede desculpas a quem foi prejudicado e afirma que não quer usar os problemas do mercado para apagar suas próprias falhas.
Ao mesmo tempo, o caso expõe uma ferida maior da cena. O rap cresceu, lotou palcos, elevou cachês e profissionalizou estruturas.
Contudo, esse avanço também trouxe uma disputa sobre quem segura o risco quando a venda não acompanha o tamanho da operação.
O episódio não fecha a conta em um culpado único. Ele mostra um choque entre compromissos contratuais, custo de produção, valorização artística e poder de compra do público.
Para o rap seguir ocupando grandes palcos sem perder quem sustenta a cultura na pista, essa conversa precisa sair da crise e entrar no centro do jogo.









