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Bone Thugs-N-Harmony ganha estrela na Calçada da Fama

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Mauro S Pereira

Bone Thugs-N-Harmony
Imagem: Internet

O Bone Thugs-N-Harmony vai receber, no dia 8 de julho, a estrela de número 2.851 na Calçada da Fama de Hollywood, em cerimônia marcada para as 11h30 (horário local) na altura do 6126 da Hollywood Boulevard. O grupo de Cleveland entra para a lista na categoria Recording. Além disso, é o único ato de hip-hop confirmado na turma de 2026. Esse é um reconhecimento que reposiciona a força histórica do grupo dentro da indústria do entretenimento americano. Isso acontece justamente no momento em que voltam a circuito, em turnê e com material novo.

Formado em 1991 nas ruas de Cleveland, o grupo passou por um nome de batismo, Bone Enterpri$e, antes de ser descoberto por Eazy-E e assinar com a Ruthless Records em 1993. Foi dali que nasceu a fórmula que mudou a gramática do rap americano. Essa fórmula são harmonias cantadas coladas em flows de velocidade extrema, um formato que na época soava estranho para o mercado. Hoje, ele é referência estudada por produtores e MCs de gerações inteiras. A homenagem da Calçada da Fama chega, portanto, não como um gesto simbólico isolado. Na verdade, é um reconhecimento tardio de uma virada estética que o grupo cravou há mais de três décadas.

A trajetória que justifica a estrela do Bone Thugs-N-Harmony

A trajetória que sustenta esse título começa com o EP “Creepin on ah Come Up”, de 1994, disco que apresentou ao público faixas como “Thuggish Ruggish Bone” e “Foe tha Love of $”. Este disco serviu de rampa de lançamento comercial. No ano seguinte veio “E. 1999 Eternal”, álbum que estreou na liderança da Billboard 200. Esse álbum trouxe três clássicos que ainda tocam em qualquer roda que se preze de hip-hop noventista: “Tha Crossroads”, “1st of tha Month” e “East 1999”. “Tha Crossroads”, tributo a Eazy-E após sua morte em 1995, passou oito semanas no topo da Billboard Hot 100. Esse sucesso rendeu ao grupo o Grammy de Melhor Performance de Rap por Dupla ou Grupo em 1997. No mesmo ano, “The Art of War” também estreou em primeiro lugar na parada de álbuns.

A trajetória que justifica a estrela do Bone Thugs-N-Harmony

Poucos grupos na história do rap têm um dado tão contundente quanto este: o Bone Thugs-N-Harmony é o único ato a ter gravado, ainda em vida de todos os envolvidos, com Eazy-E, Tupac Shakur, The Notorious B.I.G. e Big Pun. Isso é um retrato de quem transitou, sem perder identidade, pelas facções mais tensas e mais criativas do rap dos anos 1990. Naquele período, rivalidades de costa quase sempre ditavam quem podia dividir estúdio com quem. Essa capacidade de construir pontes, mais do que qualquer número de vendas, é o que dá substância ao lugar do grupo na história do gênero. Além disso, é também o argumento mais forte para quem defende que a Calçada da Fama chegou até tarde.

Reunião do Bone Thugs-N-Harmony reforça o momento da estrela

O reconhecimento da Hollywood Chamber of Commerce vem acompanhado de outro capítulo simbólico. Bizzy Bone, Krayzie Bone, Layzie Bone, Wish Bone e Flesh-n-Bone vivem em 2026 um momento de reunião plena, impulsionado em parte pela Greenback Records, gravadora fundada pelo lutador Conor McGregor. O selo é a primeira grande gravadora irlandesa. Ele já havia assinado com Xzibit e Telander antes de fechar com o grupo de Cleveland. Esse movimento resultou no lançamento de material inédito e recolocou o Bone Thugs no radar de uma audiência que talvez só conhecesse “Tha Crossroads” por tabela. Scarface, do Geto Boys, e Bun B, do UGK, chegaram a passar pelo estúdio durante as gravações. Isso é sinal de que o respeito da velha guarda pelo grupo segue intacto