Um dos projetos mais ousados e necessários do rap brasileiro em 2026 chegou às plataformas no dia 21 de agosto: Chico 2.0, uma iniciativa da Central Única das Favelas (CUFA), da Favela Records, da Tha House e da Universal Music Brasil que coloca a obra de Chico Buarque em diálogo direto com o rap, o trap, o funk e o R&B da nova geração.
Uma Ponte Entre Memória e Futuro
O projeto não tenta modernizar Chico Buarque — ele tenta mostrar que a obra do compositor já era, desde sempre, profundamente conectada com as periferias e com as lutas que o rap brasileiro carrega até hoje. A direção artística de Celso Athayde, Fábio Almeida e Preto Zezé, com produção musical de Alê Siqueira e Felipe Poeta, garantiu que cada releitura preservasse a melodia e a harmonia originais enquanto abria espaço para as identidades de cada artista.
O resultado é um álbum de 10 faixas que funciona como uma declaração: a poesia de Chico Buarque pertence a todos, especialmente àqueles que vivem as realidades que ele sempre cantou.
As Releituras e os Artistas
O primeiro volume do Chico 2.0 reúne uma seleção de artistas que representa a diversidade e a força da música urbana brasileira contemporânea:
- VANDAL e Don L em O Que Será (À Flor da Terra)
- Xênia França e MC Cabelinho em Cálice — talvez a releitura mais politicamente carregada do projeto
- Dexter, Maurício Pazz e MC Livinho em Construção
- Tasha & Tracie em Deus Lhe Pague
- Grag Queen em Geni e o Zepelim
- Budah em Roda Viva
- Júlia Mestre e TZ da Coronel em João e Maria
- Bela Maria em Meu Caro Amigo
- Xênia França em Olê, Olá
- MC Livinho em Pivete
Por Que Isso Importa
Num momento em que o rap brasileiro domina os charts e conquista o mundo, o Chico 2.0 faz uma pergunta importante: de onde viemos? A resposta está nas letras de Chico Buarque, que há décadas narram a desigualdade, a resistência e a beleza da vida nas margens — exatamente o mesmo território que o rap brasileiro ocupa hoje.
Para artistas como Don L e Grag Queen, participar do projeto foi uma oportunidade de apresentar Chico Buarque a uma geração que talvez nunca tenha ouvido Cálice ou Construção — e de mostrar que essas músicas ainda têm muito a dizer sobre o Brasil de 2026.
O Que Vem Por Aí
O Chico 2.0 é apenas o começo. Um segundo volume está previsto para outubro de 2026, prometendo mais artistas e mais releituras de um repertório que é, ao mesmo tempo, patrimônio cultural e combustível para a resistência. Quem acompanha o rap brasileiro sabe que este projeto vai gerar conversa por muito tempo.








