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Rivas Álibi, Pioneiro do Hip-Hop de Brasília e Fundador da Casa do Hip-Hop de Ceilândia, Morre aos 56 Anos

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Mano Rua

Rivas Alves
Imagem: Internet

O hip-hop brasileiro perdeu um de seus pilares mais importantes. Rivas Alves, conhecido artisticamente como Rivas Álibi ou Kabala, faleceu no dia 5 de julho de 2026, aos 56 anos, em Brasília. O artista enfrentava um câncer diagnosticado publicamente em junho de 2026, após apresentar complicações de saúde e fortes dores pulmonares.

Quatro Décadas Dedicadas à Cultura de Rua

Nascido em 27 de julho de 1969, Rivas Álibi foi um dos nomes mais influentes da cena hip-hop do Distrito Federal, com uma trajetória de mais de quatro décadas dedicadas à música, ao grafite e ao breaking. Sua jornada começou nas periferias do DF, onde participou das primeiras festas de funk e soul antes de mergulhar de cabeça nos quatro elementos do hip-hop.

Ao lado de seu irmão, o lendário DJ Jamaika — que faleceu em março de 2023, também vítima de câncer —, Rivas formou o grupo Álibi, responsável por moldar o som do rap brasiliense nos anos 1990. A dupla introduziu um baixo mais pesado e encorpado que se tornou a assinatura sonora da cena local, colocando Ceilândia e o Distrito Federal definitivamente no mapa do hip-hop nacional.

O Clássico que Ficou para Sempre

Entre os trabalhos mais marcantes de Rivas Álibi, a faixa “Pague pra Entrar e Reze pra Sair” é considerada um clássico absoluto do rap brasileiro. A música capturou com precisão cirúrgica a realidade das periferias do DF, tornando-se um hino de resistência que atravessou gerações e continua sendo referência para novos artistas da cena nacional.

A Casa do Hip-Hop de Ceilândia: Seu Maior Legado

Além da música, Rivas Álibi foi o idealizador e fundador da Casa do Hip-Hop de Ceilândia DJ Jamaika, espaço criado em homenagem ao irmão e que se tornou um dos pilares de transformação social da região. O espaço oferece oficinas de rimas, DJ, grafite e breaking, além de promover cidadania e perspectivas de futuro para jovens das periferias do Distrito Federal.

Para Rivas, o hip-hop nunca foi apenas entretenimento. Era uma ferramenta pedagógica de transformação social, capaz de mudar trajetórias e construir comunidades. Esse legado continua vivo em cada jovem que passou pela Casa do Hip-Hop e encontrou na cultura de rua um caminho.

Um Cronista das Ruas que Não Para de Falar

Até o fim de sua vida, Rivas Álibi permaneceu ativo e criativo. Co-apresentava o Rap Total Podcast ao lado do artista Rei, onde discutia a história e a evolução da cena hip-hop na capital federal. Seu falecimento gerou comoção entre artistas, coletivos e lideranças políticas, que destacaram seu papel como mentor, cronista das ruas e defensor incansável da profissionalização da cultura urbana no Brasil.

Grupos como Atitude Feminina e Tribo da Periferia prestaram homenagens ao artista, reconhecendo-o como uma referência insubstituível. A família de Rivas ressaltou que seu legado — definido por criatividade, talento, fé e sensibilidade — continuará influenciando o cenário cultural do Distrito Federal por muitas gerações.