O cineasta americano apareceu vestindo a camisa do Brasil em Morristown, elogiou Neymar e lembrou que à noite tinha compromisso no Madison Square Garden. Além disso, a coincidência com os Knicks nas finais da NBA voltou a animar os torcedores brasileiros.
Havia algo diferente no centro de treinamento de Columbia Park, em Morristown, Nova Jersey, na manhã desta quarta-feira (10). Entre patrocinadores, jornalistas e convidados da CBF, um homem de 69 anos chamava mais atenção do que qualquer jogador em campo. Era Spike Lee, um dos cineastas mais influentes da história americana, vestindo orgulhosamente a camisa amarela da Seleção Brasileira.
Não por acaso, a visita do diretor de “Faça a Coisa Certa”, “Malcolm X” e “Infiltrado na Klan” ao treino da Canarinho tornou-se o assunto do dia nos bastidores da preparação para a Copa do Mundo de 2026. Nesse dia, a CBF havia aberto o espaço para convidados de patrocinadores. Lee surgiu como uma das presenças mais ilustres — e mais barulhentas.
“Que cores estou vestindo?”
Chegando com cerca de 15 minutos de treino já em andamento, Spike Lee foi rapidamente cercado por repórteres. Em clima descontraído, brincou ao apontar para a própria camisa: “Que cores estou vestindo?”, arrancando risos da imprensa presente.
O tema Neymar surgiu naturalmente na conversa. Embora o camisa 10 brasileiro tenha participado do “dia da comunidade” e chegado a pisar no gramado, ele ainda segue fora das atividades com o grupo. Mesmo assim, ele não passou em branco na roda de perguntas. Questionado sobre o atacante, o diretor foi curto e direto: “É o meu cara.” Além disso, Spike Lee elogiou Vinícius Júnior, reforçando a admiração pelo futebol brasileiro.
Com isso, a visita do cineasta transformou o treino em algo além de uma atividade esportiva. Morador de Nova York e figura mundialmente reconhecida por sua carreira no cinema e por seu ativismo antirracista, Lee interagiu com membros da delegação. Assim, tornou os bastidores do dia ainda mais agitados.
O coração em dois esportes
Apesar da empolgação com a Seleção, a mente de Spike Lee estava claramente dividida entre dois campos. Antes de deixar o espaço reservado à imprensa, o diretor revelou que à noite teria outro destino esportivo. Era o Madison Square Garden, em Nova York, para acompanhar o Jogo 4 das Finais da NBA entre New York Knicks e San Antonio Spurs.
Lee, torcedor fanático dos Knicks há décadas — um dos mais famosos superfãs da história da NBA, com seu lugar cativo à beira da quadra —, não economizou no entusiasmo. Portanto, repetiu o nome do time diversas vezes aos gritos: “Knicks! Knicks! Knicks!”
Por sua vez, os Nova-iorquinos vencem a série por 2 a 1 e buscam a chance de abrir vantagem de 3 a 1 em casa. No entanto, é exatamente essa presença dos Knicks nas finais que, para muitos brasileiros, vai muito além do basquete.
A Lenda Urbana: quando os Knicks vão à final, o Brasil é campeão
Há uma coincidência que os torcedores brasileiros repetem com reverência — e um certo arrepio supersticioso — desde que os Knicks voltaram às Finais da NBA em 2026. Foi a primeira vez desde 1999.
Tudo começou em 1970. Naquele ano, o New York Knicks conquistou seu primeiro título da NBA, derrotando o Los Angeles Lakers numa emocionante série de sete jogos. Poucos meses depois, a Seleção Brasileira de Pelé ergueu a taça do tricampeonato mundial no México. Era uma das maiores equipes que o futebol já viu.
O roteiro voltaria em 1994. Os Knicks retornaram às finais da NBA, desta vez sendo derrotados pelo Houston Rockets. Apesar disso, a escrita permaneceu nos gramados: naquele mesmo ano, o Brasil conquistou o tetracampeonato nos Estados Unidos. Foi em uma final dramática contra a Itália, decidida nos pênaltis.
Portanto, foram dois anos com finais de NBA disputadas pelos Knicks. Dois títulos mundiais para a Canarinho. Ambos em Copas realizadas na América do Norte.
Agora, em 2026, o cenário se repete com uma precisão desconcertante. Os Knicks voltaram às finais após 27 anos de ausência. Além disso, a Copa do Mundo está sendo disputada justamente nos Estados Unidos, México e Canadá. São os mesmos países que sediaram as edições de 1970 e 1994. Enquanto isso, a Seleção Brasileira, sob o comando de Carlo Ancelotti, está a dias de estrear contra Marrocos no MetLife Stadium, em Nova Jersey.
Para os supersticiosos, o recado é claro. Já para os céticos, trata-se apenas de uma coincidência divertida. No caso de Spike Lee — torcedor dos Knicks que apareceu de camisa do Brasil num treino da Seleção —, talvez seja as duas coisas ao mesmo tempo.
O hexa e o título dos Knicks. Seria improvável demais para ser coincidência. Ou seria improvável demais para não ser?
“Que cores estou vestindo?” — Spike Lee, apontando para a camisa amarela da Seleção Brasileira no treino de Morristown, em 10 de junho de 2026.










