BH Entra no Mapa Global do Graffiti com Festival que Reuniu Artistas de 7 Países

Picture of Mano Rua

Mano Rua

Reprodução Instagram

BH Entra no Mapa Global do Graffiti com Festival que Reuniu Artistas de 7 Países

Belo Horizonte virou palco de um dos encontros de arte urbana mais importantes já realizados em Minas Gerais. Entre os dias 17 e 19 de abril de 2026, a capital mineira recebeu a primeira edição do Festival UAI Graffiti, evento que transformou os muros do histórico Colégio Estadual Central em uma galeria a céu aberto, com obras de mais de cem artistas vindos de diferentes cantos do Brasil e do mundo.

O cenário escolhido não poderia ser mais simbólico: a Escola Estadual Governador Milton Campos, conhecida como Estadual Central, é o primeiro colégio público de BH e tem projeto arquitetônico assinado por Oscar Niemeyer. As paredes que antes exibiam apenas o branco desgastado do tempo ganharam vida com rostos de diferentes etnias, animais, formas geométricas e mensagens de amor — tudo criado ao vivo, com spray na mão e muita troca entre os artistas. Ao todo, participaram representantes de Argélia, Argentina, Chile, Colômbia, Estados Unidos e Japão, além de grafiteiros de diversas regiões do Brasil, do Acre ao Rio de Janeiro.

Por trás da organização está o coletivo Real Grapixo, com João Marcelo, o Goma, na coordenação geral, e Stephanie Lorraine, a Tefa, na produção executiva. O projeto foi viabilizado por uma emenda parlamentar da deputada federal Duda Salabert (PSOL), que tem histórico de apoio à cultura periférica e às artes de rua. Para Goma, o festival representa um passo importante para colocar BH no mesmo circuito de cidades que já sediam eventos internacionais de graffiti com regularidade — algo que outras capitais brasileiras já fazem há anos, mas que Minas ainda estava devendo.

A programação foi além dos pincéis e sprays. O Duelo de MCs abriu o festival na quinta-feira, aquecendo a cena com batalhas de improviso que reuniram a galera do hip hop local. Na sexta, um festival de stickers tomou conta do espaço, e no sábado a Batalha Clandestina encerrou tudo com chave de ouro, com show do rapper Sidoka. A mistura de graffiti, rap e batalha de rima não foi por acaso — é exatamente essa integração entre os elementos do hip hop que o UAI Graffiti quer celebrar e fortalecer.

Entre os nomes que deixaram sua marca nas paredes da escola estão artistas como Zi Reis, Ulhoa, Davi DMS, Zé Victor, Zion, Thaynha e Bruna Rison pelo lado brasileiro, e o americano J.3rny e o amazonense Gnos pelo lado internacional. A TRZ Crew, vinda do Acre com ESA, CISKO e JR TRZ, representou a Amazônia com força total, mostrando que a cena de arte urbana no Brasil vai muito além dos grandes centros. Patrick Castro, o Manja, artista de Santarém do Pará, destacou que o evento abriu portas para sua carreira e ajudou a dar mais visibilidade e credibilidade ao graffiti em cidades onde a arte de rua ainda enfrenta resistência.

O Festival UAI Graffiti chega num momento em que o Brasil vive uma efervescência sem precedentes na arte urbana — de Salvador a Rio de Janeiro, passando por São Paulo e agora BH, as cidades estão reconhecendo o graffiti como patrimônio cultural e ferramenta de transformação social. Para a cena mineira, a primeira edição do UAI é só o começo de uma história que promete crescer muito nos próximos anos.

error: Conteúdo Protegido! Obrigado.