Baby Keem Abre o Jogo Sobre Infância Difícil e Entrega o Álbum Mais Pessoal da Sua Carreira

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Mano Rua

Baby Keem Abre o Jogo Sobre Infância Difícil e Entrega o Álbum Mais Pessoal da Sua Carreira

Cinco anos é muito tempo no rap americano. Artistas surgem, explodem e somem em ciclos cada vez mais rápidos. Mas Baby Keem voltou em 2026 com um projeto que justifica cada dia de espera: Ca$ino, seu segundo álbum de estúdio, lançado em 20 de fevereiro, é uma obra que vai fundo na autobiografia e não tem medo de mostrar as cicatrizes. O jovem rapper de Long Beach e Las Vegas decidiu que era hora de contar sua história de verdade — e o resultado é um dos trabalhos mais honestos do hip-hop americano neste ano.

O título do álbum não é metáfora vazia: o cassino é uma referência direta ao vício em jogo da mãe de Keem, que moldou sua infância de maneiras que ele nunca tinha explorado publicamente antes. Crescer em Las Vegas com uma mãe que apostava compulsivamente, se mudar entre cidades, lidar com a ausência e o trauma — tudo isso está no disco, tratado com uma maturidade que surpreende para alguém que ainda está construindo sua carreira. Para contextualizar ainda mais a história, Keem lançou junto ao álbum um documentário em três partes chamado Booman, com entrevistas de familiares e imagens do processo criativo.

Musicalmente, Ca$ino é um álbum que não tem medo de experimentar. Há batidas espaciais e atmosféricas, samples de old school sobre 808s pesados, momentos de trap raivoso e passagens mais introspectivas com piano e breakbeats. A faixa “I Am Not a Lyricist” é apontada por muitos como o ponto alto do projeto — um hino para quem cresceu em situações difíceis, falando sobre pobreza, vício e abuso com uma cadência que lembra André 3000 nos melhores momentos. Já “No Blame”, dueto com James Blake que fecha o álbum, é uma carta de perdão para a mãe, vulnerável e poderosa ao mesmo tempo.

As colaborações do disco também chamam atenção. Kendrick Lamar — primo de Keem e um dos maiores nomes do rap atual — aparece em duas faixas, “Good Flirts” e “House Money”. Too $hort, lenda do rap da Costa Oeste, marca presença em “$ex Appeal”. O produtor Sounwave, parceiro histórico de Kendrick, também assina beats no projeto. É um elenco que mostra que Keem tem acesso ao melhor da cena e sabe como usá-lo sem deixar que as participações ofusquem sua própria voz.

A recepção crítica foi positiva, com o álbum alcançando 73 pontos no Metacritic. Publicações como NME descreveram o trabalho como um “retorno confiante e coeso” de um artista que “parou de tentar provar que pertence à cena e começou a descobrir o que quer dizer”. Rolling Stone destacou que Keem está “saindo da sombra do primo superstar” e consolidando uma visão artística própria. Nem tudo foi elogio — Pitchfork foi mais crítico com a performance vocal em alguns momentos — mas o consenso é que Ca$ino é um passo importante na trajetória de um dos talentos mais interessantes do rap americano.

Baby Keem representa uma geração de rappers que cresceu ouvindo Kendrick Lamar, Kanye West e Travis Scott, mas que tem histórias próprias para contar. Ca$ino é a prova de que ele não precisa mais de comparações para se firmar. O jogo dele é o dele — e as apostas estão ficando cada vez mais altas.