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Travis Scott e James Blake nos créditos de The Odyssey reforçam a conexão entre rap e tradição oral no novo filme de Christopher Nolan

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Moyses

Foto: reprodução/Instagram
Foto: reprodução/Instagram

A parceria entre Travis Scott e James Blake marca um dos encontros mais simbólicos entre o hip-hop e o cinema em 2026.

Os dois artistas assinam a faixa original que encerra The Odyssey, novo épico de Christopher Nolan.

A colaboração também representa o retorno criativo de Scott ao universo de Nolan.

Depois de participar de Tenet com a música “The Plan”, o artista agora assume uma dupla função ao integrar o elenco como o personagem The Bard e também participar da identidade musical do longa.

Travis Scott e James Blake levam o rap para o universo de The Odyssey

A música dos créditos finais ainda não teve seu título revelado, mas já é tratada como parte da construção narrativa do filme, e não apenas como um lançamento promocional.

James Blake aparece em destaque nos vocais, enquanto Ludwig Göransson assina a produção e a composição ao lado de Travis Scott.

Foto: Reprodução/Instagram

A escolha dialoga diretamente com a proposta artística de Nolan. Pois, em vez de enxergar o rap como um elemento distante da mitologia grega, o diretor aproxima as duas linguagens por meio da tradição oral.

Assim como os poemas atribuídos a Homero atravessaram gerações pela voz dos bardos, o rap também preserva histórias, identidade e memória por meio da palavra falada.

Essa leitura ajuda a explicar a presença de Travis Scott no elenco. Interpretando um poeta itinerante, o artista ocupa um espaço que simboliza justamente essa continuidade entre diferentes formas de contar histórias.

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Ludwig Göransson reinventa o som da Grécia Antiga

A construção sonora de The Odyssey também acompanha essa proposta de inovação.

Ludwig Göransson desenvolveu uma trilha baseada em instrumentos antigos e réplicas arqueológicas, explorando liras, aulos, instrumentos de bronze e outras sonoridades ligadas à Idade do Bronze.

Em vez de seguir a tradição das grandes orquestras dos filmes épicos, o compositor buscou texturas mais orgânicas. Assim, ele criou uma identidade musical que conversa tanto com o passado quanto com a estética contemporânea.

James Blake também contribui com vocais ao longo do score, fortalecendo essa fusão entre música experimental e narrativa cinematográfica.

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O que essa colaboração representa para a cultura urbana

A participação de Travis Scott nos créditos e no elenco provocou debates antes mesmo da estreia.

Parte das críticas questionou a presença do rapper em uma adaptação da Odisseia. Por outro lado, uma parcela enxergou nessa escolha a força do projeto: aproximar um dos textos fundadores da literatura ocidental da principal linguagem oral da cultura urbana atual.

Essa decisão amplia o alcance do filme sem abandonar sua proposta artística. Ao unir cinema, pesquisa histórica e hip-hop, The Odyssey transforma a música em um elemento central da narrativa e reforça como o rap continua sendo uma das formas mais relevantes de preservar histórias, identidade e expressão cultural.

A colaboração entre Travis Scott, James Blake, Christopher Nolan e Ludwig Göransson abre um novo capítulo nessa conversa entre tradição e contemporaneidade.

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