Newsletter

Fique por dentro das prinpais notícias da cultura urbana.

Muzzike lança álbum solo pela ROC7 e Virgin Music

Picture of Mauro S Pereira

Mauro S Pereira

Muzzike álbum solo
Imagem: Internet

O Muzzike álbum solo “PAZZ&KAOZZ” chega às plataformas digitais como o primeiro trabalho de estúdio assinado individualmente pelo rapper paulistano, selado por uma estrutura que une a ROC7, gravadora comandada por Edi Rock e Anderson Franja, a DGelo Records e a distribuição internacional da Virgin Music. O disco reúne nove faixas que atravessam boombap e trap, e marca o momento em que Muzzike deixa de ser apenas nome de participação especial para assumir a linha de frente de um projeto autoral completo.

Nascido e criado no Lauzane Paulista, na Zona Norte de São Paulo, Philipe Barroso da Cunha, o Muzzike, construiu mais de uma década de trajetória dentro do rap nacional antes de chegar a este momento. O Muzzike álbum solo não nasce do nada. Ele é resultado de um caminho que passa pelo coletivo Terceira Safra, pela exposição no programa Manos e Minas, e por participações marcantes ao lado de Emicida, Rashid e Projota, artistas que ajudaram a moldar a escola lírica na qual o rapper se formou.

O caminho até o Muzzike álbum solo

A entrada de Muzzike na cena começou em 2010, quando o rap ainda disputava espaço fora dos grandes circuitos de mídia em São Paulo. O primeiro capítulo relevante da carreira veio com o Terceira Safra, grupo responsável pelo disco “Seja o Que Você Quiser”, lançado em 2012 e amplificado pela exposição na TV Cultura. Foi ali que o público paulistano passou a reconhecer o timbre e a cadência de Muzzike como algo particular dentro da nova geração.

O salto seguinte aconteceu em 2016, quando ele emprestou a voz para “Mandume”, faixa do álbum “Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa…” de Emicida, um dos discos mais influentes do rap brasileiro daquela década. A partir daí, Muzzike passou a circular por palcos maiores, incluindo apresentações na turnê comemorativa de dez anos do single “Triunfo”. Esse acúmulo de vivência é o que sustenta o peso do Muzzike álbum solo hoje. Não se trata de uma estreia precoce, mas de um artista que amadureceu em público antes de assinar seu primeiro trabalho individual.

ROC7 e Edi Rock por trás do Muzzike álbum solo

Nenhum lançamento dentro do rap paulistano carrega o mesmo simbolismo de ter Edi Rock como padrinho artístico. Integrante fundador dos Racionais MC’s, o rapper hoje dedica parte de sua energia à curadoria da ROC7, selo que também conta com Anderson Franja na direção e que vem se posicionando como plataforma de revelação para novos nomes da música urbana brasileira. A escolha de Muzzike para este posto de confiança não é aleatória. Os dois compartilham origem na Zona Norte de São Paulo, mas o que efetivamente motivou a aposta, segundo o próprio Edi Rock, foi a qualidade da escrita e a proximidade de repertório com nomes como Emicida, Rashid e Projota.

Colocar o Muzzike álbum solo sob o guarda-chuva da ROC7 significa também colocá-lo dentro de um projeto maior de reorganização do mercado urbano independente, no qual gravadoras lideradas por artistas históricos do hip-hop assumem o papel de descobrir, desenvolver e posicionar comercialmente a geração seguinte. A DGelo Records entra nesse desenho como responsável pela gestão de carreira, complementando o trabalho de curadoria sonora feito dentro da ROC7 Studios, onde o disco foi integralmente gravado.

Virgin Music e a leitura de mercado do Muzzike álbum solo

A distribuição do Muzzike álbum solo pela Virgin Music reforça um movimento que já vinha sendo desenhado desde que a distribuidora fechou parceria direta com a ROC7 para ampliar a presença de artistas urbanos em seu catálogo. Para uma gravadora nascida dentro da cultura de rua, contar com a estrutura internacional da Virgin Music significa acesso a ferramentas de distribuição, curadoria de playlists e inteligência de dados que dificilmente estariam disponíveis fora de um acordo dessa natureza.

Esse tipo de parceria traduz uma mudança de postura do mercado fonográfico brasileiro em relação ao rap de periferia. Onde antes existia resistência institucional, hoje há investimento direto em selos comandados por quem viveu a cultura desde a raiz. O Muzzike álbum solo se beneficia diretamente dessa mudança de cenário, chegando ao público com estrutura de lançamento comparável à de artistas já consolidados, ainda que carregando um discurso e uma estética construídos dentro do underground.

O conteúdo do Muzzike álbum solo “PAZZ&KAOZZ”

As nove faixas do disco trazem um Muzzike mais exposto do que em qualquer outro momento de sua carreira. As letras tratam da rotina de quem ainda negocia contas no fim do mês, da fé como ferramenta de sustentação emocional, e da tensão entre a correria profissional e o tempo disponível para a família. Faixas como “Realidade” e “Aro20” resumem esse tom confessional, enquanto “Interfone”, “Femme Fatale” e “Se Você Não Vem” dialogam diretamente com a juventude urbana que reconhece essas mesmas contradições na própria rotina.

A escolha do título não é decorativa. Para Muzzike, paz e caos são forças que convivem lado a lado dentro da experiência de qualquer artista independente que tenta crescer sem abrir mão da origem. É uma leitura que dialoga com uma geração inteira de compositores que cresceram dentro do rap ouvindo Racionais MC’s e hoje reproduzem, à sua maneira, o mesmo compromisso com a verdade lírica que tornou o gênero relevante no Brasil.

O que o Muzzike álbum solo representa para o rap paulistano

Mais do que um lançamento isolado, o Muzzike álbum solo funciona como termômetro de um momento específico do rap brasileiro, em que a geração formada dentro do circuito underground paulista começa a herdar estrutura, capital simbólico e apoio institucional dos nomes que abriram esse caminho nos anos 1990 e 2000. Ter Edi Rock como curador direto e a Virgin Music como parceira de distribuição não garante sucesso automático, mas sinaliza que o mercado está disposto a investir em histórias construídas com tempo e consistência, e não apenas em fenômenos passageiros de algoritmo.

Para quem acompanha a cena de perto, “PAZZ&KAOZZ” chega como confirmação de que Muzzike deixou de ser coadjuvante de luxo em discos alheios para se tornar protagonista de sua própria narrativa. O restante da trajetória, agora, depende de como o público recebe esse primeiro capítulo solo e de como a ROC7 conduz os próximos passos dentro de um mercado que segue mudando de forma acelerada.