Em março de 2023, Don Cesão anunciou o fim da Ceia Entertainment, selo fundado em 2016 ao lado de Nicole Balestro. O encerramento não marcou apenas o fim de um ciclo. Deu início a uma sequência de denúncias públicas, trocas de acusações e disputas judiciais, como o caso da Ceia Entertainment Djonga disputa judicial, que colocaram antigos aliados em lados opostos. Esse processo, conhecido como Ceia Entertainment Djonga disputa judicial, representa um dos conflitos mais marcantes do rap brasileiro recente.
O tema voltou ao centro das atenções em março de 2026 com o lançamento de “Doze Judas Na Minha Ceia”, de Don Cesão. A resposta veio com Clara Lima em “O Que Me Diz Respeito”, seguida por uma nova réplica. As faixas reacenderam um debate que o rap independente brasileiro ainda não resolveu, especialmente devido aos impactos da Ceia Entertainment Djonga disputa judicial.
Um modelo baseado na confiança
A Ceia Entertainment surgiu com uma proposta incomum no mercado. Acordos sem contratos formais, divisão de até 90% dos lucros para os artistas e 10% para o selo. Don Cesão atuava na curadoria e descoberta de talentos. Nicole Balestro liderava negociações comerciais e parcerias com marcas.
Entre 2017 e 2022, o modelo parecia funcionar. Artistas como Djonga, Tasha & Tracie e Kyan ganharam projeção nacional, ampliaram números nas plataformas e passaram a ocupar espaços em festivais e campanhas publicitárias de marcas como Budweiser e Adidas.
O problema estava na estrutura. Sem contratos, não havia mecanismos claros para auditoria, transparência ou garantia de direitos quando os interesses começaram a divergir.
Direitos autorais no centro do conflito
O caso mais emblemático envolve Djonga. Para recuperar os direitos dos álbuns “NU” e “Histórias do Meu Lugar”, o artista precisou desembolsar cerca de R$ 300 mil. Os fonogramas dos três primeiros discos permaneceram sob controle de Don Cesão e chegaram a ser negociados com Rodrigo Oliveira, da GR6, antes de retornarem ao rapper mediante novo pagamento.
Tasha & Tracie e Kyan também relataram dificuldades semelhantes. Entre os pontos levantados estão a falta de prestação de contas sobre receitas de streaming e a ausência de acesso a dados financeiros básicos sobre suas obras.
Acusações públicas e ações judiciais
Nicole Balestro declarou que valores entre R$ 200 mil e R$ 600 mil, referentes a empréstimos feitos a ex-integrantes do coletivo, ainda estariam em aberto. Os artistas contestam essa versão.
Atualmente, ao menos quatro ex-integrantes da Ceia, incluindo Djonga, Kyan e Tasha & Tracie, movem ações contra Nicole Balestro. Os processos envolvem acusações na esfera criminal relacionadas a crimes contra a honra, além de ações cíveis por calúnia e difamação. Todos correm em segredo de Justiça. Por consequência, esse cenário é mais um reflexo da Ceia Entertainment Djonga disputa judicial.
Outro episódio envolve um veículo alugado no nome de Nicole e supostamente repassado a Kyan, que acabou gerando disputa judicial após um acidente. As versões apresentadas pelas partes são divergentes. Igualmente, o caso faz parte do contexto mais amplo da Ceia Entertainment Djonga disputa judicial.
O impacto para o rap independente
O caso da Ceia não é isolado, mas ganhou uma dimensão rara. A combinação de artistas com grande visibilidade, conflitos expostos nas redes sociais e diss tracks lançadas publicamente transformou uma disputa interna em um debate aberto para toda a cena.
O que antes era visto como diferencial, a ausência de contratos formais, se mostrou um ponto crítico de fragilidade. Para artistas em início de carreira, especialmente aqueles inseridos em coletivos, o histórico da Ceia se torna um alerta direto sobre os riscos de estruturar relações profissionais apenas na confiança.
Djonga, Tasha & Tracie e Kyan seguem ativos. Os processos continuam em andamento. E as músicas seguem circulando, cada uma apresentando sua própria versão dos fatos.







