O produtor e empresário Jermaine Dupri entrou com uma ação judicial de US$ 18 milhões contra a Sony Music Entertainment em um tribunal federal de Manhattan, acusando a gravadora de décadas de práticas contábeis desonestas e royalties sistematicamente sonegados. O processo, protocolado em julho de 2026, coloca em xeque uma relação comercial de mais de 30 anos entre a So So Def — label fundada por Dupri — e a gigante do entretenimento.
O Que Está em Jogo nos Royalties de Jermaine Dupri
A ação judicial detalha um padrão de irregularidades que teria começado ainda nos anos 1990. Segundo o processo, a Sony teria mantido royalties de artistas históricos da So So Def em sistemas contábeis paralelos, inacessíveis à equipe de Dupri por mais de duas décadas. A auditoria que revelou as inconsistências foi conduzida em 2025 pela firma especializada Gelfand, Rennert & Feldman.
Entre os casos mais graves listados na ação está o do duo Kris Kross: a Sony teria ocultado mais de US$ 2,2 milhões em royalties dos álbuns Totally Krossed Out e Da Bomb por mais de 20 anos. O processo também aponta irregularidades nos pagamentos referentes a Xscape — com cerca de US$ 960 mil em royalties de produção não pagos do álbum de estreia da grupo — e a Da Brat, com mais de US$ 1 milhão retido do clássico Funkdafied.
Uma Lista de Artistas Afetados
O processo não para por aí. A ação menciona irregularidades envolvendo projetos de Mariah Carey, Usher, Bow Wow, Jagged Edge, J-Kwon e Anthony Hamilton, entre outros. Dupri argumenta que é “inconcebível” que álbuns certificados como platina ainda apareçam com saldos negativos nos registros da gravadora décadas após o lançamento.
A ação também acusa a Sony de não ter aplicado corretamente o programa interno Artists Forward Legacy Unrecouped Balance Program, lançado em 2021, o que teria resultado em mais de US$ 1 milhão em pagamentos indevidamente retidos entre 2020 e 2024. O valor total exigido inclui mais de US$ 10 milhões em juros acumulados ao longo dos anos.
O Impacto Para a Indústria do Hip-Hop
O caso Dupri vs. Sony vai muito além de uma disputa financeira entre duas partes. Ele acende um holofote sobre práticas que, segundo especialistas, são comuns na indústria fonográfica — especialmente para artistas de hip-hop e R&B que assinaram contratos nas décadas de 1980 e 1990, quando a transparência contábil era praticamente inexistente.
A ação chega em um momento em que a conversa sobre equidade e direitos de artistas está mais aquecida do que nunca. Nos últimos anos, nomes como Taylor Swift e Prince já expuseram publicamente as armadilhas dos contratos tradicionais com grandes gravadoras. Agora, Dupri — um dos produtores mais influentes da história do hip-hop — coloca a Sony no banco dos réus com documentação detalhada e décadas de evidências.
O Que Vem Por Aí
A Sony Music não se pronunciou publicamente sobre o processo até o momento do protocolo. O caso promete se arrastar pelos tribunais e pode abrir precedente para que outros artistas e produtores da era So So Def revisitem seus próprios contratos. Para a cultura urbana, é mais um capítulo na longa batalha por reconhecimento e compensação justa dentro de uma indústria que historicamente lucrou às custas de seus criadores.








